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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Dieta do cromossomo Y

Esse fim de semana eu passei num apartamento com três homens, o que me permitiu algumas análises e comparações.

Com relação a comida, por exemplo. Ao comprar comida eles pensam principalmente em: quantidade e preço. O que importa é se vai ter bastante comida e se eles vão conseguir pagar o mínimo possível por isso. Chegando em casa, sai aquela panelada de macarrão, todo mundo come bastante e só vai pensar em comida na próxima refeição. É um negócio prático e objetivo. É uma escolha pela lógica. Se macarrão é bom, barato e satisfaz, então macarrão it is, mesmo que por 3 dias seguidos. E não se fala nem pensa mais nisso. Vc está satisfeito, então pra quê comer mais? Claro que eu estou exagerando um pouco e generalizando a lot, mas despindo os detalhes o que sobra é isso.

Já mulher é um bicho mais complicado e eu pude ver isso direitinho quando eu fui fazer supermercado com a Liza, minha roomie, ontem. A gente ficou horas. Analisando cada produto, pensando em cardápios diferentes, escolhendo dezenas de sobremesas.

- "Esse biscoitinho aqui é bom pra comer quando a gente for ver filme".
- "Esse achocolatado é mais grossinho do que aquele lá de casa. É bom pra fazer chocolate quente."
- "Esse molho a gente já comeu a 9 dias atrás. Vamo variar!"
- "Essa batata a gente pode fazer com aquelas ervas que a gente comprou da outra vez, gratinar com um queijo e servir com aquele presunto..."
- "Nossa, esse chocolate é novo! Vamo experimentar?"
- "O que que é isso? Diz fulana que é bom, a gente pode testar!"

No final das contas, a gente já tava salivando pq passamos o supermercado inteiro imaginando a comida e a vontade era de chegar em casa e comer tudo que a gente tinha comprado. Além disso, são 500 coisas diferentes pra experimentar, o que desperta a curiosidade. E se vc compra comidas específicas pro café da manhã, pro lanchinho da manhã, pro almoço, pra fominha de 5h, pro jantar e pra hora de ver filme, vc vai acabar passando o dia inteiro comendo e pensando em comida! Por isso que a gente engorda!

Homem come pra sobreviver, pra matar a fome. Mulher come pra suprir carência, pra experimentar, pra ter uma nova experiência sensorial, pra passar o tempo... A fome vem lá em último lugar!

Antes que me apedrejem, eu sei que isso é mega generalizado e pode ser que se aplique só a mim. Mas foi bom fazer essa análise pq eu pretendo agora começar a seguir mais o cromossomo Y, pra ver se a situação crítica da gordura melhora um pouco!



Com os dias contados! Pela alimentação de subsistência!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Atualização

Eu sei, preciso atualizar o blog...

Mas tá difícil. Tô sem tempo. Tô sem idéia... A rotina tá na mesma.
E eu continuar reclamando de ser velha, ou de saudade, ou de gordura, ou dos experimentos que não dão certo, tenho certeza que alguém vai acabar me batendo...

De novidade, só que o frio tá voltando.

E esse fim de semana o Felipe volta e eu vou encontrar com ele em Pariiiiiiiiiiiiiiiis! Aí sim, com certeza terei muitas novidades e inspirações. Então, guenta mão aí, que daqui a pouco o ritmo frenético volta!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O problema da calça jeans

Não é segredo nem mistério pra ninguém que eu tô me esbaldando de comer aqui na França. E óbvio que isso tem consequências estéticas, que ás vezes me apavoram e aborrecem, mas com as quais eu desisti de lutar pq eu não consigo. Quando eu chegar em casa eu faço regime, corro, malho, jejuo, mas aqui eu vou aproveitar mesmo e tá decidido.

Já faz um bom tempo (anos!) que eu não me peso (a não ser quando obrigada, mas aí eu evito de olhar), pq eu sempre desço decepcionada da balança, mesmo quando as pessoas e as roupas falam que eu emagreci. Acredito muito mais nas minhas roupas do que na balança. E as minhas roupas tão me falando que eu tô gorda mesmo.

Pra parte de cima, ainda mais que o frio tá chegando, é tranquilo. Mas a parte de baixo começa a complicar. Isso pq já é complicado normalmente. Achar uma calça jeans que vista bem é um desafio, pq minha perna é curta e grossa. O comprimento não importa, pq a bainha resolve. Mas a calça que veste bem na perna, fica larga na cintura. E a que fica bem na cintura não passa do meu joelho!

Apesar disso, eu sempre tive sorte de achar uma calça boa e não cara. Uma das calças jeans que eu mais amei, e tenho até hj, é uma da Riachuelo que custou 19,90 reais na época, uns 7 anos atrás. Só que essa minha sorte virou e eu não consigo achar uma calça jeans que preste! Experimentei todas que existem, em todas as lojas da cidade e nada! Foi quando eu me rendi e resolvi testar uma calça de 250 euros da Diesel, só a título de curiosidade... E não é que a bichinha veste como se fosse um pijama de tão confortável? Fica certinha, não sobra nada (além do comprimento, lógico, mas tbm era querer demais, né?), nem falta nada. Aliás, falta só eu ser rica pra pagar mais de 600 reais numa calça!!! Que castigo! Mas tbm que idéia de experimentar essa calça! Guardados os devidos exageros, que existem evidentemente, minha mãe sempre disse que tem coisa que é cara não é a toa!

Mas como eu não vou ter nunca coragem de comprar essa calça, acho que o jeito vai ser tomar vergonha na cara mesmo e fechar a boca. Pelo menos até eu entrar em algo que custe menos!

foto: site da Diesel

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Seguro: Novela mexicana, mas com final feliz...

Não sei se todo mundo sabe/lembra que meu apartamento foi assaltado aqui em Montpellier. Passadas as chatices de fazer a ocorrência, esperar o perito e recolocar tudo, inclusive a cabeça, no lugar, começa uma nova novela das 8! De Manoel Carlos: O SEGURO!

O seguro foi obrigatório pra locação do ap. Eu fiz ele através da Fundação Kasteler, que presta assistência a pesquisadores estrangeiros. Foram eles que me ajudaram a abrir conta no banco e me arrumaram esse seguro com uma tarifa especial. Vc pode pensar: "Nossa, mas que bom que vc tinha seguro! Menos mal, pq vc vai ser reembolsada por tudo que levaram do seu apartamento. Afinal de contas, pra isso a gente paga um seguro, para nos sentirmos seguros!".

Mas se vc já teve que lidar com a corja sabe que a realidade é bem menos simpática que essa. Ao que aparenta, o lema das seguradoras é: "Vamos tornar a vida do cliente um inferno! Vamos colocar obstáculos! Vamos exigir documentos impossíveis! Vamos duvidar da integridade dos nossos clientes! Vamos enrolá-los e ignorá-los até que eles desistam e a gente não tenha que pagar 1 centavo!" Desculpe se tem alguém super legal que trabalha com seguros lendo isso, mas é que as minhas experiências não foram das melhores!
(A anos atrás roubaram o carro lá de casa de dentro da nossa garagem. O seguro demorou 6 meses pra pagar, depois de um inquérito quase policial, e ainda pagou bem menos que o carro valia!).

Pra vcs terem uma idéia da minha odisséia, vamos á algumas datas:
- 13/06 = data do roubo
- 16/06 = seguro acionado e todos os documentos enviados
(a demora de 3 dias foi pq o assalto foi numa 6a. Os procedimentos policiais todos terminaram tarde, então só na 2a que deu)
-
16/07 = Perito da seguradora veio fazer uma visitinha. (Um mês depois do ocorrido!)
- 07/08= Quase inteirando um mês sem notícias, ligo para a seguradora pra perguntar como está o andamento do processo. Eles me respondem que não sabem, pq o perito está de férias e só volta dali 15 dias!
- 22/08= Ligo pra seguradora, pq teoricamente o perito já voltou de férias. Mas ninguém tem notícias ainda.
- 26/08= Ligo de novo! Eles falam que até o final da semana COM CERTEZA eles vão ter uma resposta, e que entram em contato comigo
- 04/09= Como ninguém me deu notícia, ligo pra eles maaaaais uma vez. A moça que atende já reconhece minha voz e me cumprimenta. Mas notícia que é bom nada.
- 10/09= Começo a ficar neurada com a situação. Mas continuo ligando pq sei que eles querem que eu desista. Falo com a moça que assim não é possível e ela fica meio ofendidinha, falando que a culpa não é dela. É do perito e suas férias!
- 16/09= Num momento misto de raiva com falta do que fazer, resolvo deixar uma mensagem no site da Fundação Kasteler, falando que eles deveriam reconsiderar as parcerias deles, pq a companhia de seguro com a qual eles trabalham é uma porcaria que enrola os clientes! No mesmo segundo quase eles me respondem, em inglês, e com a maior educação do mundo! Me pedem pra explicar o ocorrido, pq eles querem me ajudar e pq é importante pra eles terem um retorno dos serviçoes que eles indicam. Conto tudo pra alma caridosa e ela fala que vai se inteirar do que está acontecendo.
-18/09= Recebo um email da companhia de seguros me pedindo 10 bilhões de desculpas, alegando que o problema foi que o perito enviou o relatório pro endereço errado (!?), mas que o cheque com o reembolso de parte das minhas perdas já tinha sido enviado pra a minha casa!!!!!!

Prefiro acreditar que foi coincidência que as coisas só começaram a andar quando eu comecei a mexer com os peixes grandes, e que independente de eu ser estrangeira, mocinha e indefesa eles me trataram igual, porque eu ainda prefiro acreditar no bem dentro das pessoas!

E também agora não importa! Tem um cheque chegando!!! Só espero que ele chegue mesmo!

Então vc, vítima de seguradoras enroladas, não desista, pq seu dia vai chegar!!!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Social é bom tbm!

Depois da minha breve jornada de auto-conhecimento proporcionada pela minha "solitude" temporária, minha vida virou uma correria aqui!

Não só teve a novidade da roomie, que já muda a situação, mas tbm teve mais uma amiga franco-brasileira, uma viagenzinha relâmpago, um professor da UFMG vindo pra cá, vários eventinhos sociais, milhares de experimentos a fazer... AHHHHHH, tem hora que nem dá pra respirar. Mas é bom, pq é isso (ter mil coisas diferentes acontecendo a cada dia) que faz o tempo passar rápido.

Destrinchando um pouco a correria, algumas coisinhas pra contar. Primeiro, eu percebi que minha jacuzisse melhorou muito! Com esse professor que veio aqui, com quem eu tenho muuuuito menos intimidade do que com o meu orientador, eu fiquei muito mais tranquila pra cumprir a agenda social. Nos 3 jantares que a gente teve eu fiquei calma antes, durante e depois! Será que é esse a mudança que todo mundo fala que acontece quando vc passa um tempo fora? Se bem que eu acho que o fato de ter a Liza, minha roomie, acompanhando todo o processo divide um pouco a tensão. Mas fiquei feliz de todo jeito.

Além desse social mais "obrigatório", o social mais "amigal" começou a explodir tbm! Como a Liza já tinha morado aqui, as amigas que ela tinha antes quiseram sair pra encontrar com ela, e eu fui junto. E as pessoas que ela ainda não conhecia tbm quiseram conhecer. E roomates nessas horas sempre vão de tabela, né? Resultado: fim de semana cheio!

6a teve uma festa "Cheese&Wine" na casa da Sabine, pela chegada da Liza e pela despedida dos estagiários do laboratório, que acabaram de terminar o ciclo deles. Foi bem animadinha, mas parecia muito mais cheio do que realmente estava, pq o ap dela, como a grande maioria aqui, é estilo ovo.

No sábado, a Stephanie resolveu fazer uma noite de crepes, só para as meninas. Ela tem um aparelho que é tipo uma chapa, mas com as divisórias para fazer minicrepes. Ela fez uma massa salgada e uma doce e os complementos ficavam na mesa pra cada uma montar seu crepe como quiser. Quero e preciso de um trem desse para a minha vida, pq é muito bom! Além disso, tinha tempos que eu não tinha uma noite só falando besteira com amigas. É, acho que já são "kind of" amigas já!

Tendo que fazer sociais das mais variadas categorias, a gente lembra que não dá mesmo pra ser sozinho na vida. Apesar de ter aprendido a gostar da minha própria companhia, não dá pra negar que que a companhia dos outros pode ser boa tbm!

A felicidade da "gurdita" de poder fazer e comer quantos crepes quisesse!


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

E a Europa tá caindo pro 3o...

A Randa, tunisiana minha colhega aqui do laboratório, tirou um mês de férias pra se casar. Foi tudo ótimo, tudo lindo, tradicional e tal.

Na volta, ela e o marido passaram por Barcelona, pq ficava mais em conta. Naquele clima ainda de lua de mel, foram comprar um café. No meio de tantas malas, lotadas de presentes, ela deixou a bolsa um segundinho de lado pra levar os cafés quentes.

E não é que nessa a bolsa foi embora? Com todos os documentos burocraticamente suados da vida francesa! E não é que uma das malas tbm foi? Com as fotos do casamento e com todas as jóias que ela ganhou de presente da família do noivo? Não sei o que é pior. Pq ter os documentos roubados e ter que fazer tudo de novo é a coisa mais pela que tem! Mas ter coisas de valor sentimental, lembranças suas levadas embora tbm é péssimo!

Agora conta pra gente Randa: na Tunísia, esse país ainda longe do grande desenvolvimento das potências mundiais, isso já te aconteceu? NUNCA!

Pois então que tá na moda os terceiromundistas terem a honra de serem assaltados com toda a classe que o dito primeiro mundo!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

DIA DO BIÓLOGO!

Hoje é dia do biólogo! E até os ônibus de BH resolveram lembrar a data! E a Tia Patrícia lembrou de mim! (brigada pela foto e pela lembrança,tia)

Parabéns para nós, esse povo sofrido, mas apaixonado e que tem fé que a vida vai ser melhor! Vai chegar o dia em que seremos reconhecidos, teremos empregos e seremos pagos por ele! Vai chegar o dia em que nós seremos uma classe que se auto-valoriza tbm! Porque se a gente mesmo não se dá a devida importância, fica difícil pro resto do mundo enxergar isso!

Nesse dia as pessoas vão entender que vc não fez medicinia simplesmente pq NÃO queria ser médico e sim BIÓLOGO! E que os médicos, sem os biólogos, não tem nenhuma arma! E que além disso, o planeta e a sobrevivência dele (do ser humano inclusive) depende muito de nós! Vai chegar o dia em que o nosso trabalho vai ser valorizado!

Mas, enquanto esse dia não chega a gente fica feliz só de ter um experimento que dê certo!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Invasão urbana

Esses bichinhos/ETzinhos de mosaico fazem parte do meu dia a dia. Em cada esquina tem um de cor diferente! É uma verdadeira invasão, principalmente no centro!

Diz a Júlia, minha consultora para assuntos humanas/sociais/"epistemiológicos"/urbanísticos que é um cara famoso que faz essas intervenções. É como se fosse um "grafite"!

Confesso que antes tinha preconceito com "pixação". Achava que sujava, poluía o ambiente. Claro que tem o vandalismo puro e simples, mas depois que comecei a prestar atenção, vi que tem muita coisa bacana tbm! Tem arte, tem poesia, e tem também uma voz de protesto que pode ser ouvida, mas de uma forma mais sutil.

Durante as viagens que a Júlia fez por aqui, metade das fotos que ela tirou eram dessas intervenções urbanas. E ela me ensinou que essas coisas fazem a gente ver que a cidade tá viva, né? Ainda mais aqui, onde tudo é antigo, é um jeito de dar uma atualizada boa!

UPDATE: Achei a nave dos ETzinhos!!!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Tema recorrente...

Desculpem a obsessão, mas "ser estrangeiro" é um assunto que acaba sempre aparecendo, pq é (drrr, óbvio!) uma situação que eu nunca vivi antes. E uma que eu nunca quis nem imaginei viver, e por isso nunca gastei fosfato pensando.

Ontem eu fui na Prefecture (que não é a prefeitura, mas tipo o PSIU) resolver um probleminha do meu endereço na carta de Sejour que não estava atualizado, nada de grave. Cheguei lá na hora que abria e já tinha uma fila imensa, marcada "étrangers". A maioria da fila constituída pelos onipresentes muçulmanos do Mahgreb (Marrocos, Argélia, Tunísia e derivados). Já na fila, tinha um clima meio estranho, e mais estranho ainda quando entramos. É difícil explicar, mas é tipo um constrangimento generalizado, uma falta de graça por estar com uma plaquinha de "ESTRANHO" (=étrange, mesma raiz da palavra!) na testa, misturada com medo de ter alguma coisa errada nos seus papéis ou do povo implicar com vc e ser deportado do nada.

Minha senha era a de número 42, então tive bastante tempo pra observar o povo. A maioria, quando era chamado, chegava lá com a cara de apreensão, abraçado na pastinha de documentos e saia alguns minutinhos depois com uma cara de alívio que dava gosto de ver. Alguns casos eram mais drásticos, como um moço cujas filhas e esposa foram barradas de voltar á França. Ele tava desesperado, tadinho. As atendentes era aquela coisa francesa: cara de entojo + educação. Mas parece que conseguiram resolver o problema dele. Algumas pessoas (como eu!) foram no local ou dia errados (eu, como sou estudante, tinha que ter ido no Pole Universitaire, mas ele tá fechado até setembro!) e as atendentes não esperavam nem vc completar a frase pra te dispensarem. Bem grossinhas...

Mas aí foi um moço, com mais cara de tadinho do universo, que me pôs pra pensar naquela situação toda. Lá pelas tantas, a comunidade muçulmana de Montpellier tava toda lá! Homens novos e velhos, mulheres com e sem véu, todo mundo chegava, se cumprimentava e tal. O tadinho não falava francês. Mas aí foi uma moça da comunidade lá ajudar ele. O problema é que ele tinha a carta de sejour, mas ela estava vencida e ele queria renovar. Só que o pedido de renovação deve ser feito 2 meses antes da data final. Muito bem.

Eu sou a pessoa mais em cima do muro do universo, e nesse caso eu não consegui me decidir o que pensar. Pelo lado do tadinho, além dele ser tadinho, eu fiquei revoltada de um serviço que lida com estrangeiros, e onde a maior parte desses estrangeiros falam árabe, não ter um ser humano sequer que fale outra língua que não o francês. Depois, a moça poderia ter sido mais compreensiva, já que estavamos todos naquela situação constrangedora de estranhos no ninho, e falado de uma forma mais tranquila com ele, não como se ele fosse um burro de 7 anos de idade. Mesmo que não tivesse o que ser feito naquela situação.

Mas aí eu comecei a pensar pelo outro lado. Como que um cara, por mais tadinho que seja, que está aqui a mais de um ano com certeza, e que deseja permanecer aqui, não se dá ao trabalho de aprender a língua local? Não acho que a gente tem que abrir mão da nossa cultura ao morar em um país diferente, mas um MÌNIMO de adaptação ao ambiente em que estamos tem que ter, né? Isso é até biologia, e não sociologia! E se vc já conquistou o direito de permanecer naquele país, vc tem que cuidar desse direito! Como que o cara perde a data de renovação de bobeira assim? Aí fica difícil pra moça do balcão ser gentil, pra política do país ser favorável...

Não estou traindo os meus pensando assim, mas acho que essa questão é bem complicada, e rende bastante, né? Espero que vcs não fiquem de saco cheio do assunto, mas é que pra mim dá o que pensar!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Documentações não postadas

Depois do post da visita que não foi documentada, eis um post sobre eventos que foram documentados e não postados!

Essa foto aí foi no Estivales, que é um evento que acontece na esplanada em frente a praça da Comedie toda 6a a noite, durante o alto verão. Fica tendo umas barraquinhas de comida, artesanato, tipo feirinha de praia. Tem uns shows e o grande atrativo é a degustação de 3 vinhos diferentes + uma tacinha decorada (que eu estou lindamente segurando na foto). Fica sempre lotado! A gente só lanchou, degustou e foi embora!

Esse foi o último finde do Felipe aqui. Pegamos uma prainha...

Esse é o famoso beignet, o equivalente da empada praiana aqui, o petisco mais comido na praia. Só que ele é um pão doce, recheado do que vc quiser: morango, damasco, nutella, maçã... É bem gostoso, bem gurdurento, mas achei que combina zero com clima de praia, né? A concepção praiana do povo aqui é realmente outra!

Como a gente estava no clima "fritura é vida", fomos fazer algo que queríamos ter feito a muito tempo: provar o balde de frango do Kentucky Fried Chicken! Teve uma época aqui que tinha propaganda do KFC por toda parte e a gente não descobria nunca onde era! Ele é no caminho pra praia, tipo fora da cidade! Pedimos o frango, e fiquei meio decepcionada de não ter vindo num balde... Mas ele é beeeeeeem frito, com a pele do frango bem crocante e apimentadinha! Calorias no teto! Caiu igual um tijolo, mas teve bão!

Esse foi o meu primeiro finde sozinha aqui! Faxinei muito a casa toda e até lavei meus sapatinhos que estavam imundos! O all star ficou beleza! O outro, de lona clara, ficou meio manchadinho, mas finge que é charme!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O mistério das bananas da martinica!


Ou estão verdes, ou estão podres!

Deve ter um intervalo de uns 15 minutos entre um estágio e outro, no qual vc pode realmente saboreá-las!

Tô tentando ser saudável, mas tá difícil!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Eletricistas: VENHAM PARA A FRANÇA!!!

Como eu já disse, morar na França é bem menos glamuroso e cinematográfico do que passear de bicicleta de boina com uma baguete na cestinha. Se vc mora no 4o andar de um prédio velho em um ap minúsculo, num país que não é seu e numa língua que vc nunca vai dominar 100%, é menos glamour ainda!

Ontem tivemos uma pane elétrica no ap. Só no nosso, o resto do prédio estava ok. Depois de fazer supermercado, subir os 4 andares com as compras, guardar tudo, morrendo de fome e de vontade de tomar banho (pq o tempo tava aquele chuvoso-quente, que faz vc ficar melecada de suor o dia todo), era a última coisa que eu queria!

Primeiro de tudo, fomos ver se a chave tinha caído. E tinha! Eba! Problema resolvido. Só que deu 5 segundos e ela caiu de novo e não levantou mais! A filha do dono do ap mora no andar de cima e, ao escutar ela descendo a escada, fui perguntar o que eu devia fazer, se ela conhecia alguma eletricista, se era melhor eu ligar pro pai dela antes e tal. Como ela estava saindo, ela me disse pra ver se a gente conseguia resolver o problema e se não desse certo, pra ligar pra ela que ela resolveria o problema.

Além da chave que fica dentro do ap, tem um lugar onde fica o reloginho de contagem de eletricidade do prédio todo. Fomos lá dar uma olhada. Só que o negócio era uma zona! 500 reloginhos, uns que pareciam de antes de cristo, outros ultramudernos e eu não tinha nem idéia qual era o meu. A minha educação e o meu medo dos fraceses e de morrer eletrocutada me impediu se sair mexendo em tudo.

Liguei então direto pro Monsieur de BelAir, o dono do ap. O filho dele atendeu com voz de quem tava dormindo. Os pais não estavam. Expliquei a situação e ele, parecendo de saco muito cheio, tipo "o que que eu tenho a ver com isso!", me falou: liga prum eletricista!

Liguei então pra filha. Ela estava dirigindo e falou que me ligava em 5 minutos. Ela disse que os pais estavam de férias e ia tentar entrar em contato com eles, pq eles têm um amigo que faz esses servicinhos caseiros pra eles. 40 minutos depois ela ainda não tinha dado notícia. Fiz a pentelha e liguei de novo! Ela não atendeu. Aquela situação tava me dando nos nervos já! Pq se ela tivessa falado "te vira, nega!", eu já tinha tomado providências! Mas eu sei lá se esse povo tem frescura com que tipo de profissional mexe nas coisas deles, e como ela já tinha falado que ia resolver, eu esperei. Já tava ficando escuro (9 da noite) e eu liguei de novo. Ela falou displicentemente: "Ah, foi mal não ter te ligado! Não consegui falar com meu pai.". Eu perguntei se ela sabia qual era o reloginho do nosso ap, ou se ela tinha o telefone do tal cara do servicinho e ela não tinha idéia.

Livre pra tomar minhas próprias decisões, liguei prum eletricista 24h. Já sabia que esse tipo de serviço aqui na Europa é supercaro, mas me preparei para o pior e liguei mesmo assim, pq eu não tinha escolha! O cara já foi falando pra eu não mexer em nada, pq era perigoso, ainda mais em prédios do Centre Ville, que tem fiação antiga e tal. Me senti ótima, super segura de ter um profisional vindo em nosso socorro!

O cara demorou um tempo pra chegar, pq o povo aqui nunca consegue achar a nossa rua. Depois de subir os 4 andares, chegou bufando e foi logo testando as chaves. Não funcionou. Perguntou se tinha algum outro lugar com chave. Levei ele no armário caótico dos reloginhos. Ele não fez cerimônia alguma e foi logo desligando a chave geral do prédio, mexendo em tudo até que achou o nosso reloginho. A chave dele tinha caído. Voilá! Mas aí ele disse que o problema não é a chave ter caído, mas o QUE fez ela cair. Perguntou o que a gente tava fazendo na hora que a chave caiu. O Felipe tava no computador e eu começando a preparar o jantar. Ahá! O fogão-chapa elétrica! Lá foi ele testar e foi batata! Foi só ligar o fogão e a chave caiu de novo. Ele deu uma olhada, viu o fogão limpinho. Falou que provavelmente a fiação tava úmida e por isso tinha dado um curto-circuito. Mexeu mais um pouquinho e tudo resolvido. Tudo isso não durou mais que 15 minutos, pq quando ele foi embora ainda não tinha recuperado o fôlego da bufação de subir as escadas!

O problema era simples, mas todos os problemas são simples depois que alguém te mostra a solução. A gente nunca ia achar o reloginho e ia demorar décadas pra relacionar tudo com o fogão. O cara foi eficiente e resolveu o problema, o que é o melhor.

Mas o pior estava por vir. A conta! E eu estava já me preparando psicologicamente, mas não tenho nem coragem de dizer o quanto que eu paguei! Só adianto que foi mais que o dobro da minha pior hipótese! E ele ainda foi bonzinho, pq além do deslocamento e do serviço ainda tem um adicional por ser a noite, que ele tirou por dozinha da gente. Mas ganhando esse tanto, eu tbm seria a pessoa mais legal do mundo.

Então se alguém quer vir pra Europa ganhar dinheiro, fazer um pé de meia bem gigante, esqueçam essa coisa de mestrado/doutorado e empregos que seriam bem vistos no Brasil. A onda é bombeiro/eletricista/mecânico/pedreiro! Vc vai ficar rico em um mês!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Hereditariedade falha

Longe da família, eu tenho percebido em mim cada vez mais traços herdados. Seja no físico, no gosto ou no jeito, seja pela genética ou pela convivência, não tem como. A gente acaba saindo mais parecido com a forma que fez a gente do que imagina, mesmo fazendo força pra fazer diferente.

Na família da minha mãe, corre uma tendência a achar que a comida nunca é suficiente e tentar empurrar goela abaixo das pessoas que te fazem visita a maior quantidade de comida que for possível. Nessa parte, eu estou me saindo melhor que a encomenda. Meus hóspedes que o digam!

Só que eu descobri que eu tenho uma herança falha. Na família da minha mãe tbm rola uma obsessão por limpeza e arrumação. A imagem é tão forte que eu, minha irmã e minha prima, quando pequenas, tínhamos como uma de nossas brincadeiras preferidas lavar banheiro com shampoo Elseve roxo. Uma outra cena que eu não apago nunca da memória é da minha vó, já depois dos 70 anos, agachada com uma agulha tirando a mínima sujeira que fica entre os tacos da tábua corrida do chão da casa dela! Lá em casa, minha mãe tbm seguia a cartilha direitinho, o que fez com que a gente se acostumasse com tudo bem limpo e arrumadinho! Eu fiquei tão mal acostumada que uma vez, ao ir dormir na casa da minha vó, eu fiz ela passar a ferro a cama depois de pronta, pq eu achei que ela não tava tão esticadinha quando a cama que minha mãe arrumava!

Mas a hereditariedade falhou em um ponto. Assim como a lavação de banheiro com Elseve nunca dava certo, eu herdei o gosto por limpeza e arrumação mas não a habilidade para executá-la! Eu sou bagunceira e minha própria bagunça me irrita! Eu gosto das coisas limpas, mas a minha faxina é uma porcaria! E eu juro que tento! O boxe do banheiro então é uma desgraça, porque como a água aqui da França é muito calcárea, parece que ele está sempre sujo! E me irrita demaaaaaais! Essa porcaria de água tbm fez meu cabelo começar a cair muito e o chão fica um mar de cabelos, não importa quantas vezes a gente limpe!

Isso é muita injustiça genética! Vcs não imaginam a aflição que isso me dá! Eu praticamente executo um número de sapateado irlandês "Lord of the Dance" de tanta vontade de dar um piti quando eu detecto essas sujeiras ou as minhas bagunças de roupa, papel, coisinhas, cosméticos, bijuterias, etc!

Meus filhos eu já vou criar num cheiqueirinho pra eles crescerem acostumados com um ambiente não tão asséptico ou então vou programar cursos intensivos de faxina com a minha mãe pra não passar essa falha pra frente!

Deve estar todo mundo querendo me internar agora, né?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A saga do feijão ou Cultivando a brasilidade

Depois de todo o conflito iniciado pelo cassoulet maldito que culminou com o movimento pró-brasilidade, resolvi que tinha que comer um feijão pra testar!

Aliás, o desapego ao feijão é uma das minhas características anti-brasilidade que começaram a me incomodar. Todo mundo que mora fora sente falta de feijão e geralmente é a primeira coisa que pedem pro povo que vem visitar (eu peço pão de queijo! momento feliz da mineiridade urbana se revelando!). Eu não...

E não é que eu não goste de feijão. Eu amo feijão! E a Lú faz um feijão tão bom lá em casa que ele nem pertence mais ao filo dos feijões normais, já subiu de patamar! E do feijão dela eu sinto falta.
Mas acho que, devido a minha curiosidade gastrônomica que me faz querer, pelo menos por esse ano, experimentar as coisas que eu só vou ter a oportunidade de comer aqui, eu acabei não me ligando muito no feijão (e adquirindo algumas arrobas extras, diga-se de passagem).

Mas aí a gente viu esse feijão enlatado aí embaixo no Monoprix, e ele até tinha uma carinha de feijão brasileiro. "Refogando com um bacon, um alho amassado e uma folhinha de louro, se perigar fica até bom!", disse Júlia Mesquita. O louro eu esqueci, mas o resto todo eu fiz! O caldo meio que custou pra engrossar e ficou numa cor meio estranha, meio clara. Acho que faltou "amor" (sázon!)



Pra acompanhar, eu decidi fazer o meu prato do dia a dia mais favorito de todos! Arroz, feijão, carne moída e ovo frito! Pra mim, ganha do quase unânime arrorfeijãobifebatatafrita.

O arroz, antes a gente tava comprando aqueles de saquinho que vc só ferve e pronto. Mas resolvemos comprar um arroz Thai, que eles mandam fazer igual macarrão, fervendo um litro de água, jogando la dentro e depois escorrendo. Mas fiz ele à lá bresilienne, refogando cebola, cobrindo com um dedinho de água e tal! Não ficou soltinho-da-vovó, mas não empapou, o que já é uma vitória.

A carne moída foi gerada a partir da desconstrução de dois hamburgueres. Não é perfeito, mas é o melhor que tá tendo!



O ovo frito! Quem é que inventou a expressão "não sabe nem fritar um ovo!", como a caracterização do absurdo do não-talento culinário da pessoa em questão? Fritar ovo é a parte mais difícil! É igual falar "não sabe nem integrar uma equação!" ao invés de falar "não sabe nem quanto é dois mais dois!", pra caracterizar a burrice de alguém!



No final das contas, dada a improvisação utilizada na confecção do prato, ele até que deu certo! E ficou bom, viu? Engraçado que eu fiquei até com vontade de chorar! Era como se eu tivesse no Brasil de novo! É o poder do arroz com feijão!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Oncontô? Proncovô? Quemcosô?

Aqui no laboratório eu muito bem tratada! Graças a Deus não tenho nada a reclamar. Mas é inevitável sentir , ás vezes e de algumas pessoas, a emissão da mensagem: "Você não é daqui!".
E geralmente não é de uma forma agressiva ou sem educação. Eu penso que é da mesma forma que eu trataria um ET que chegasse na minha casa, ou um índio!

Isso aparece muitas vezes no tipo de pergunta que eles me fazem ("Vc já experimentou vinho?", "Já ouviu falar da culinária francesa?") e na forma de falar, como se vc fosse surda, ou tivesse 5 anos de idade. Ás vezes isso transparece uma curiosidade, o que não me incomoda de jeito nenhum. Mas tem dias, não sei se efetivamente devido a alguma atitude deles ou a um mau humor da minha parte, ás vezes eu sinto um pouquinho de preconceito. Mas não do tipo discriminação . É mais como se eles estivesse fazendo uma grande caridade em me receber. Eu, a pobrezinha da menina do 3o mundo que quer ser cientista, mas coitada, não tem oportunidades dentro do seu país miserável. Que tbm não deixa de ser um pouco verdade, e talvez justamente por isso que me incomoda tanto!

Ontem aconteceu um episódio que me fez pensar nisso. Aqui, cada um tem seu jogo de pipetas pra chamar de seu. Menos eu. Eu gosto de entender que é pq eu vou ficar pouco tempo e não seria necessário investir nisso. Enfim, eu sempre pego de outras pessoas, avisando-as antes, naturalmente. Cada um aqui tem a sua bancada tbm. Mês passado me mudaram de lugar, para uma bancada menor, pra uma menina que entrou pra ser técnica ficar com a minha. Gosto de pensar do mesmo jeito que eu falei: é pq eu vou ficar pouco tempo e eles tem que dar preferência pra quem vai se instalar mesmo aqui. Aí eu fui pegar a pipeta de uma moça lá, como eu preciso fazer para sobreviver aqui! Nisso, uma outra moça, que sempre foi uma gracinha comigo, chegou pra mim com uma vozinha da SuperNanny dando lições para as criancinhas mal-criadas e disse: "Aqui a gente não pega as coisas dos outros assim não!". Eu tentei explicar pra ela a questão toda das pipetas e ela falou mais algumas coisas, mas eu fiquei com tanta raiva que nem escutei direito! Fiquei muito mau humorada o resto do dia! Quando vc acha que realmente já está ambientada no lugar, sempre tem algo pra te dizer que você não pertence a este lugar!

Essa preocupação da não-pertencência se alia a outra que, aparece com a perspectiva da volta. Outro dia a gente encontrou uma carioca surtada na rua, que vendo que a gente falava português ficou querendo ser nossa melhor amiga. Ela contou que ela mora aqui a 8 anos, e a 1 ano o marido dela morreu. E ela tá aqui ainda, passando perrengue, desempregada. A gente logo perguntou pq ela não voltava pro Brasil. Ela meio que enrolou a resposta, mas o que ficou claro pra mim foi que ela tinha feito tanto esforço pra ser daqui, falar bem a língua, se adaptar ao estilo de vida, que ela não conseguia mais se imaginar no Brasil. Mas ao mesmo tempo ela não se sentia totalmente acolhida aqui. Nem lá nem cá, vc passa a pertencer a um vácuo!

Claro que eu sei que 1 ano é coisa pouca, e todo mundo me fala que nada mudou, que tá tudo exatamente a mesma coisa. Mas é mentira, pq tudo muda o tempo todo, inclusive eu! Não tem aquilo de que um homem nunca entra 2x no mesmo rio, pq nem ele nem o rio são os mesmos? Aí me dá muito medinho de pensar nessa volta.

E ontem aconteceu algo que me deu mais medo ainda! Fomos num restaurante com a Júlia e eu pedi um Cassoulet, que é um prato típico daqui, com feijão branco. O tal do feijão, que eu não como á 7 meses, caiu igual uma granada no meu estômago e eu passei mal demais! Tive até que tomar Sal de Andrews, e olha que eu não tomo remédio nem quando estou a beira da morte! Ficou aquela queimação típica de feijão!

A constatação de que meu estômago tá virando um gringo fresco pra comida tá me dando pânico! Será que eu vou ter diarréia do viajante quando eu chegar? Acho isso o cúmulo do podre! Afinal de contas, sou mineira criada a tropeiro com muito torresmo! Se meu organismo não aceitar mais isso é como se eu perdesse a identidade!!! Socorro!

Taí o vilão: o primo branco da feijoada!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Livros, crepes, cinema e chuva!

Andei meio sumida, né? Mas é que por aqui só anda chovendo, mais nada de novidade, pq a gente fica confinado dentro de casa, assistindo Jack Bauer ininterruptamente!

Mas no sábado, São Pedro deu uma aliviada (mas tbm só de manhã, pq de tarde o tempo começou a fechar e a noite dá-lhe chuva de novo!). Fomos então dar nossas famosas voltinhas.

Apesar de pequena e pacata, Montpellier sempre tem alguma coisinha acontecendo aqui e ali. Nesse finde em particular tava tendo uma mega feira de livros na Comedie, cujo o enfoque principal era a literatura russa, não me pergunte porque! Os cartazes de divulgação eram lindinhos e a decoração dos estandes tbm.Tava supercheia e mais uma vez a gente pode constatar que a cultura de um francês médio equivale a de 5 brasileiros intelectuais!

Vladivostok é meu!!!

Demos uma voltinha por lá e na hora do almoço eu me dei conta que desde que tinha chegado na França eu não tinha comido um crepe! Tem uma creperia até arrumadinha do lado de casa e que não é muito cara. Unindo todas essas razões, fomos assentar lá pra conhecer.

E não é que foi uma ótima idéia? De cara, no cardápio, descobri coisas que não sabia. O crepe é originário da região da Bretanha, no Noroeste da França e só depois que conquistou todo o território. Essa creperia se gaba se vender o crepe "original" e não a imitação "murcha" que tomou conta de toda a França. Segundo o cardápio tbm, na Bretanha é tradição beber cidra pra acompanhar o crepe, mas essa eu passei, pq fico com Cidra Cereser na cabeça e não consigo imaginar que isso seja algo tomável! Sorte que lá tbm servia umas cervejas típicas bretãs, que eram muito, muito boas!!!


Voilá, então, o tal crepe original. Antes que alguém ache estranho, praticamente todos vêm com ovo, então acho que deve ser típico tbm. Além disso, a massa é um pouco diferente, eu achei. Mas meu conhecimento "crepistico" se limita a Chez Michou umas 2 vezes por ano e eventuais no Verdemar, então não sei se é deveras diferente. Enfim, só sei que o tal crepe da Bretanha com ovo e cerveja é muito muito bom! O doce tbm é ótemo!


No domingo tbm só choveu, mas não tava mais aguentando ficar dentro de casa! Pra variar, resolvemos dar um descanso pra tela do computador e pros torrents e fomos assistir Indiana Jones 4 no cinema, de guarda chuva! Filme de ação ou de efeitos especiais assim eu acho que merece uma telona! Já dramas e comedizinhas romanticas eu não animo de pagar não. Achei o filme ótimo! Ele tem cara de filme antigo mesmo. Só achei que o par romântico do Indy beeeeeeeeem acabadinha (pq o Harrison Ford tá até inteirão!) e o filho dele podia ser mais bonitinho, né Júlia? Depois do cinema, um McDo tradicional de domingo a noite e mais chuva pela semana afora!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Horário de verão

Começou o horário de verão aqui. Diferença de 5 horas pro Brasil e o sol se pondo depois das 20:00! Mais pra frente no verão chega a ser 22:00 com o sol brilhando! Uma ótima coisa se vc está de férias na praia. Uma péssima coisa se vc chega em casa cansada e tem a impressão que o dia não acaba nunca! E pq ainda estar claro vc fica sem entender pq vc já está morrendo de fome e começando a ficar com sono. Aí vc assusta e vê que são quase 21h! Horrível esse negócio de estações do ano bem definidas!

E é muito bizarro o tanto que esquentou esses dias! Tipo umdolacivamoseeee...já, hora de esquentar! No dia que virou horário de verão virou verão também! Muita organização da meteorologia! E agora eu tô perdida, porque vou ter que renovar meu guarda-roupa invernal!

PS1: Meu professor de jazz finalmente contou!!!
PS2: Tô morrendo de saudade de salgadinhos, coxinha, empadinha...
PS3: Alguém tem alguma sugestão de lugares para visitar? Tô querendo fazer uma programação de viagens com antecedência, pra pagar mais barato!

quarta-feira, 5 de março de 2008

Primeiras flores da casa!!!


Na vinícola que a gente visitou, comprei uma garrafa de vinho branco só pq ela era azul, e ia ficar linda de vaso depois.

Com o rótulo devidamente retirado, colado e avaliado no nosso caderninho, a garrafa ficou prontinha para receber as primeiras flores da França, que o Felipe, mantendo essa tradição bonitinha, trouxe pra mim!

terça-feira, 4 de março de 2008

O paradoxo da faxina

Meu Deus, por que gastar horas do seu fim de semana pra deixar a casa limpa se 2a ela já está imunda de novo?
Acho que da próxima vez vou limpar tudo e dormir no corredor do prédio e comer na rua pra não sujar!

segunda-feira, 3 de março de 2008

O primeiro fim de semana do começo da nova rotina!

Depois de 10 milhões de acontecimentos, viagens, visitas, mudanças, eu acho que finalmente é essa que vai ser a minha vida daqui pra frente nos fins de semana. Claro que eu espero que ainda tenham muitos acontecimentos,viagens, visitas e mudanças, mas acho que no geral vai ser isso.

E "isso" foi muito bom.

Depois de uma 6a feira mega corrida, que eu nem tive tempo de almoçar, comprei um vinho, passei na Paul, que é a melhor padaria do mundo, comprei uma baguete bem boa, e fui pra casa. Tomei banho e me aprontei, pq o pessoal da sala do Felipe tinha combinado de ir num bar. Como eu ia ser a intrusa do local, a gente combinou de chegar um pouquinho mais tarde, pra já estar todo mundo entrosado e não ser tão sem graça a minha chegada. Enquanto isso, a gente faria nossa pré com queijos e vinhos!

Mas aí que tava o problema. Enquanto o Felipe falava no telefone com o Fá rapidinho antes da gente sair, eu apaguei no sofá! Mas aquelas apagadas de vc acordar e nem saber que dia que é! 6a atribulada + vinho + sofá = desmaio! E acabou que não saímos.

No sábado, acordamos 10h sem fazer força nem pra levantar nem pra dormir mais. Fomos lavar roupa numa lavanderia que é mais longe, mas mais barata. E lógico que por isso ela estava lotada! Ficamos lá até 2 e meia da tarde!!! A gente tava morrendo de fome então só deixamos as coisas em casa e fomos comer um sanduíche de filé com batata frita que, com uma lata de refri, é 3,50! É ótimo, gigante e barato!

Depois fomos dar uma voltinha pelas redondezas da nossa casa. A gente não podia morar em lugar melhor! A rua é tranquila, mas a 2 passos tem a Comedie que borbulha nos fins de semana, principalmente quando tem sol. Mil ruazinhas, mil lojinhas, e cada dia uma nova descoberta. Achamos uma lojinha de 2 euros, que é a versão européia não-eufemista das lojinhas de 1,99 brasileiras. Compramos um jogo americano novo, quadriculado de laranja, verde e amarelo, muito feliz; um kit que vem com 28 lixas de unha (eu precisava só de uma na verdade!); grampos de cabelo, ja que eu vou começar a dançar de novo (se Deus quiser essa semana ainda); e um kit de costura pra pregar os vários botões de casaco que estão caindo. Andando mais um pouquinho, achamos uma feirinha de livros usados, tudo a 1 euro! Tinham milhares de livros! Sabe quando é tanta informação que vc nem consegue escolher? No final das contas resolvemos levar dois livros do Tintin em francês e um dicionário ilustrado! Parece meio mongol, mas é ótimo pro vocabulário!

Continuamos andando até anoitecer, e vimos muitas coisas legais! Chegamos em casa e aí sim fomos guardar as roupas lavadas. Descansamos um pouco, tomamos banho e fomos para o nosso primeiro jantar fora em Montpellier! Achamos um restaurantezinho pequenininho e bonitinho, que se chama "Le ferme", a 100m da nossa casa, que servia o menu completo (entrada+prato+sobremesa) por 14 euros! Bem justo o preço. Ainda mais pela comida, que estava divina!!! Melhor musse de chocolate da vida!!! E o vinho que a gente pediu tbm foi o melhor até agora!

Na França, eu finalmente tenho domingos com cara de domingo, e esse não foi diferente. O começo, pelo menos, pq depois foi a hora da dona de casa. Faxina geral! Com direito a esfregar o rejunte dos azulejos do banheiro com escova de dente e arrastar todos os móveis pra aspirar e passar pano! Ficou um brinco! Mamãe ia ficar orgulhosa de mim! Depois, passar as roupas que foram lavadas ontem. Não digo que seja o meu forte, mas tô melhorando a cada dia. Almoçamos em casa e de sobremesa fiz brigadeiro!!! Ficou bom, mas por incrível que pareça fica diferente! O gosto do leite condensado é diferente. Meio um gosto de coco... Mas deu pra matar a saudade!

Baixamos vários filmes pra ver aqui. Mas depois do meu dia de "Do-Lar", na primeira cena de "No country for old man", ganhador do Oscar 2008, eu já estava desmaiada de novo...