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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Social é bom tbm!

Depois da minha breve jornada de auto-conhecimento proporcionada pela minha "solitude" temporária, minha vida virou uma correria aqui!

Não só teve a novidade da roomie, que já muda a situação, mas tbm teve mais uma amiga franco-brasileira, uma viagenzinha relâmpago, um professor da UFMG vindo pra cá, vários eventinhos sociais, milhares de experimentos a fazer... AHHHHHH, tem hora que nem dá pra respirar. Mas é bom, pq é isso (ter mil coisas diferentes acontecendo a cada dia) que faz o tempo passar rápido.

Destrinchando um pouco a correria, algumas coisinhas pra contar. Primeiro, eu percebi que minha jacuzisse melhorou muito! Com esse professor que veio aqui, com quem eu tenho muuuuito menos intimidade do que com o meu orientador, eu fiquei muito mais tranquila pra cumprir a agenda social. Nos 3 jantares que a gente teve eu fiquei calma antes, durante e depois! Será que é esse a mudança que todo mundo fala que acontece quando vc passa um tempo fora? Se bem que eu acho que o fato de ter a Liza, minha roomie, acompanhando todo o processo divide um pouco a tensão. Mas fiquei feliz de todo jeito.

Além desse social mais "obrigatório", o social mais "amigal" começou a explodir tbm! Como a Liza já tinha morado aqui, as amigas que ela tinha antes quiseram sair pra encontrar com ela, e eu fui junto. E as pessoas que ela ainda não conhecia tbm quiseram conhecer. E roomates nessas horas sempre vão de tabela, né? Resultado: fim de semana cheio!

6a teve uma festa "Cheese&Wine" na casa da Sabine, pela chegada da Liza e pela despedida dos estagiários do laboratório, que acabaram de terminar o ciclo deles. Foi bem animadinha, mas parecia muito mais cheio do que realmente estava, pq o ap dela, como a grande maioria aqui, é estilo ovo.

No sábado, a Stephanie resolveu fazer uma noite de crepes, só para as meninas. Ela tem um aparelho que é tipo uma chapa, mas com as divisórias para fazer minicrepes. Ela fez uma massa salgada e uma doce e os complementos ficavam na mesa pra cada uma montar seu crepe como quiser. Quero e preciso de um trem desse para a minha vida, pq é muito bom! Além disso, tinha tempos que eu não tinha uma noite só falando besteira com amigas. É, acho que já são "kind of" amigas já!

Tendo que fazer sociais das mais variadas categorias, a gente lembra que não dá mesmo pra ser sozinho na vida. Apesar de ter aprendido a gostar da minha própria companhia, não dá pra negar que que a companhia dos outros pode ser boa tbm!

A felicidade da "gurdita" de poder fazer e comer quantos crepes quisesse!


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Anti-social?

Depois que o Felipe foi embora, todo mundo tá perguntando se eu tô bem. Eu tô ótima! Na verdade, eu tô bem até demais! Claro que morrendo de saudade DELE, mas não morrendo pelo fato de estar SOZINHA.

E aí eu me pus a pensar... Todo mundo, quando vai pra fora, ou fica amigo de vários brasileiros, de diferentes partes do país, ou então faz vários amigos internacionais com os quais mantêm certo contato e pelos quais sofrem na hora de ir embora, o que divide o coração com a felicidade de voltar pra casa. Eu não.

Conheci pessoas aqui, saí com elas, achei elas legais e acredito que eu tbm fui legal com elas. Mas não criei um vínculo. E não tô achando isso ruim de jeito nenhum. Pelo contrário, estou até gostando bastante de ficar sozinha, fazer as minhas coisinhas quando e como eu quero... Vcs podem falar que é pq tem só uma semana que o Felipe foi embora, e que daqui um tempo eu vou estar morrendo, mas antes dele chegar eu passei um mês sozinha e a cada dia que passava eu curtia mais a minha própria companhia. Será que isso tá errado?

Eu sou uma pessoa super sociável normalmente, mas acho que pra amizade ir além do social tem que ser uma coisa espontânea e tem que ter afinidade! Desde quando eu era mais nova e minha mãe falava pra minha irmã me chamar pra sair quando eu ficava muito entediada em casa que eu tenho pânico de caridade! Não quero ninguém conversando comigo ou me chamando pra sair por dó, pelo fato de eu estar sozinha! Talvez por isso eu acabe criando barreiras que eu não percebo...

Mas a verdade é que eu não tive a oportunidade de evoluir um relacionamento com ninguém aqui. No lab acaba que eu não fico muito parada, então as conversas acabam sendo mais superficiais. Esse negócio de sair correndo atrás de qualquer pessoa que fale português na rua eu acho meio forçado. Acho bacana ter um referencial de brasileiros por aqui, pq acaba que em horas de perrengue pode ser útil ter alguém que fale a mesma língua que vc, mas não acho que pessoa vai ser minha amiga instantânea só pq a gente é compatriota!

Ás vezes eu penso tbm que eu não fiz a minha parte direito. Eu atendi a todos os convites que eu recebi mas não fiz nenhum. Em parte por preguiça e em parte pelo meu pânico de quebrar o código social francês! Como eu não sei direito como as coisas funcionam aqui eu fico com medo de ser muito folgada e sem noção e ser xingada! Por isso que ás vezes eu sou jacu a ponto de nem perguntar num restaurante se eu posso usar o banheiro! Sei lá o que esse povo considera falta de educação ou não! Aí eu acabo ficando na minha. Será que eu devia ter feito mais força?

Eu acho que isso não tá me fazendo sofrer e como ninguém TEM QUE nada nessa vida, acho que vou permanecer assim. Tenho muuuuuuuuuuuitos amigos no Brasil, graças a Deus. Não acho que estou deixando de aproveitar nada aqui e estou gostando muito de tudo!

Ou será que eu tô virando uma doida esquisita?

terça-feira, 15 de julho de 2008

Journée Detente

Na 6a feira passada teve um dia livre aqui do lab. Tipo uma confraternização, como geralmente é comum ver no fim de ano nos escritórios, empresas e laboratórios da vida aí no Brasil. Mas como esse povo daqui é tarado com verão, as famosas festinhas de fim de ano acontecem no meio!

Foi numa espécie de parque , um pouco afastado da cidade. Além do almoço, porque afinal de contas nada mais confraternizante do que uma boa refeição, teriam tbm alguns esportes, do tipo badminton, futebol , jogos de cartas e a famosa e tradicional PETANQUE, do sul da França. Na verdade, esse jogo tem derivados por toda a França, mas cada região gosta de mudar um pouquinho as regras e reclamar que ele é tradicional do lugar! É super simples e no começo eu achei que devia ser até um pouco retardado, mas é até bem divertido!

Ele funciona com dois times, da seguinte forma: primeiro um dos integrantes de um dos times joga o cochonet, que é uma bolinha de madeira pequena e geralmente é pintada de uma cor espalhafatosa. Esse mesmo integrante então, do mesmo lugar de onde ele jogou o cochonet, joga uma bola de ferro, com o objetivo de colocá-la o mais perto possível do cochonet, que é o objetivo maior do jogo. Logo depois, um membro do outro time joga então sua bola de ferro, tentando ainda a maior proximidade possível do cochonet. Se ele conseguir chegar mais perto, a vez passa para o time seguinte. Se não, o mesmo time continua tentando até acabarem suas bolas. Cada pessoa tem duas bolas e no final das contas ganha o time que tiver a maior proximidade da bolinha. Além de tentar colocar a sua bola mais perto, vc pode tbm tentar tirar as bolas do outro time. Geralmente joga-se uma queda de 13 pontos! Eu perdi as duas vezes que joguei, mas não fui uma aberração de ruim, fui até direitinho, fiz alguns pontinhos.
É impressionante que todo mundo, dos chefes mais velhos aos estagiários mais novos, cada um tem seu próprio jogo de bolas. Parece que o povo jaga mesmo isso aqui! Tô pensando até em comprar um kitzinho pra levar pro Brasil, mas falta gente pra se habilitar a jogar comigo! Eu juro que é superdivertido!!!

O cochonet é esse menorzinho do meio... Era pra ser amarelão, mas tá desbotado já!

Depois do campeonato de petanque, o almoço! Tem um vietnamita aqui no lab cuja mulher cozinha muito bem. Então ela fez várias especialidades asiáticas que tavam muito boas!!!

De tarde, um pessoa foi jogar badminton, que sim, tbm é muito popular aqui!!! Todo mundo tem sua própria raquete tbm! Eu cheguei a tentar, mas nesse sim eu fui um desastre! Resolvi então jogar um poquer Texas Hold'em com os outros estagiários!

Foi um dia bem divertido, de jeito francês. Achei muito estranho pq eu fiquei toda tensa com que roupa ir no evento, pq afinal de contas iam ter esportes, mas não deixava de ser um evento do lab, com os chefes todos e tal. Me arrumei toda esportivazinha e chegando lá, tava o povo todo de calça jeans, sandália, etc. Pensei que o dia seria um fracasso e que ninguém ia jogar nada. Mas não é que o povo dava a vida no badminton, rolando no chão e tudo, de calça jeans e sandália? Eu, hein!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Alalaô!


Realmente vcs não tem idéia do calor que tá fazendo aqui! Até escondi meus casacos de inverno, pq começo a passar mal só de olhar pra eles! É difícil acreditar que a 2 meses atrás eu não saia de casa sem eles!

Só pra completar o fim de semana passado, no domingo fomos numa piscinada na casa da Stephanie, uma das meninas que foi no sábado com a gente na Fête de la Musique. Ela tbm mora numa residência (tipo condomínio), o ap é bonitinho, com uma varandinha e tal, e tem a vantagem de ter uma piscinona!!! Inclusive é o mesmo ap que a Larissa, que era do meu lab, morou aqui quando ela veio.

É tipo um condomínio enorme, com zilhões de aps, e tem uma piscina comum, bem grandinha, aparentemente limpa, sem aquele cheirão de cloro e apesar do calorão, nem tava muito cheia. Foi a glória do domingo! Depois, subimos para o ap para os famosos aperôs (que eu esqueci de explicar que vem de aperitivo. O povo aqui curte abreviar tudo!). O aperô tradicional do sul da França é o Muscat, que é um vinho branco mais doce que vc bebe bem gelado. É bem refrescante! Eu tinha meio birra de vinho branco, acho que fruto de todo Liebfraumich (sei lá se escreve assim) que sempre servia nas festas de 15 anos e formaturas de 8a série e que te dava uma dor de cabaça instantânea! Mas desse tipo eu tô até gostando!

Esse fim de semana agora vai ter um Pic nic "gargantuesque" (adorei essa palavra! realemente dá a idéia da enormidade da coisa, não?) no sábado, nos jardins do Peyrou. É tipo uma feira de comidas típicas, e os principais restaurantes da cidade vão fazer barraquinhas, assim como todos os produtores locais de vinho. Vai ser ao ar livre, então menos quente.

No domingo, tenho que fazer faxina (com muita água gelada, please) e se der depois vamos ver se dá uma praia, pq realmente a situação térmica daqui não tá nada bem!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Fête de la Musique!

Olá pessoal! Peço desculpas pela demora na postagem! Mas esses dias eu tô trabalhando em regime de semi-escravidão! Depois eu conto como que tá indo essa parte profissional.

Fora do trabalho, o verão chegou com força, e aqui anda fazendo uma média de 83°C á sombra! É uma coisa absurda de quente. E é um quente seco e sem vento. Tipo um forno mesmo.

No sábado passado (tô postando mega atrasada! Parece que foi a milênios!) foi o dia oficial da chegada do verão, o dia do solstício, quando o sol se encontra exatamente em cima do trópico de câncer e é o dia mais longo no hemisfério norte (o contrário pro sul, que tem a sua noite mais longa!). Há cerca de 17 anos atrás, pra comemorar esse dia, o então ministro da cultura Jean Pierre (inventei!) estipulou que nesse dia seria a Festa da Música e qualquer pessoa que quiser pode sair na rua tocando o que quiser. Se vc tem uma bateria, um piano, ou quer começar a tocar trombeta, é esse o dia de praticar com toda a força, porque os vizinhos são obrigados a te aguentar! No começo, era uma coisa mais informal, cada um fazia o que tava afim. Mas de uns tempos pra cá, tem ficado mais "organizada", ou comercial, e cada cidade faz uma programação bem direitinha pro público.

Na 6a, combinei com um pessoal aqui do lab de fazer um tour no centro, pelos lugares que tivessem tocando coisas mais legais. Como aqui esta nordeste-África de calor, combinei tbm com a Sabine, uma pos doutoranda de bioinformática daqui de ir na praia antes de seguir pra Fête.

A gente combinou de ir ás 14h, pq ela tinha que dar um jeito na casa pela manhã, e eu tbm. A gente ia de carro com ela, pq o povo aqui é burro e mesmo que a praia esteja a menos de 20 KM do centro, não tem nenhum transporte público eficiênte até lá. São planos apenas para 2012...

Tava lotado e demoramos uns 30 min pra conseguir estacionar. A praia não é boniiiiiita, mas não chega a ser feia. A areia não é de Cabo Frio e o mar não é da cor da Côte d'Azur, mas em compensação a água é quentinha!!! Muito boa mesmo. Só que tbm não tem onda! Tinha até bastante gente, e até vendedores de picolé que gritavam em ritminhos, tipo os vendedores de Empada Praiana! Me senti super no Brasil!
O sol tava bem fortinho e deu pra pegar uma cor, apesar da gente ter lambuzado de protetor 30 antes de ir! Foi a sorte pq eu esqueci um microponto do lado de dentro do joelho que ficou bonina de tão ardendo!

Depois de passar o dia na praia de bobeira, passamos rapidinho na casa da Sabine pra tomar um "Aperô". Aqui o povo tem mania disso. É tipo a pré deles.
O ap dela é pequeno, mas é uma delícia, na frente de um parque e com uma varandinha. Bem mais fresquinho. E ela tem um piano e tocou umas peças de Beethoven pra gente, maravilhosamente bem!

Depois dos Aperôs, fomos encontrar com o resto do povo. Antes de cair literalemente na gandaia, fomos dar aquela forrada. Fomos num restaurante grego baratinho, farto e bom!!!
Depois fomos então finalmente fazer o tour. É impressionante! Tem música em toda esquina MESMO! E é um clima meio carnaval, todo mundo na rua, com copinho de cerveja na mão, mas mais comportado.
Tem toooooooooooooodo tipo de música! A gente viu clássico, anos 70, jazz, rock, eletro e todas as suas variáveis, ritmos africanos, experimental, tudo na rua, e um do ladinho do outro! É bem bizarro na hora que vc para pra ver. Andamos demaaaaaaaaais! MAs foi muito legal. O pessoal que a gente tava tbm era bem gente boa.

Um dos lugares que eu achei mais legal era do lado da nossa casa. Era uma bandinha de 3 caras, um doidão na guitarra, um baixista igual Daniel Starling daqui 20 anos, e um baterista igual ao Charlie WAtts! E o povo tava delirando com eles! Eles tocam muito! Pena que o vídeo ficou escuro....

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Fim de semana com emoção!

Com a chuva indo embora, o fim de semana se tornou mais divertido e com mais coisas pra fazer.

Primeiro de tudo, como já havia prometido a mim mesma, resolvi que ia (re)aprender a andar de bicicleta. Aqui todo mundo faz isso e observar os ciclistas andando lado a lado com caminhões, carros, motos e pessoas faz com que a coisa pareça absurdamente fácil. Não é possível que seria tão difícil assim.

Aqui em Montpellier tem aquele esquema de bicicletas públicas. É 1 euro por 4 horas, e 10 euros por mês! Alugamos uma e fomos pra praça, eu e meu coach Felipe, pra tentar vencer mais essa barreira.

Começar nem foi o mais difícil, foi até bem (vejam as imagens espetaculares!). E definitivamente andar reto é que é a minha especialidade. E a minha bicicleta com certeza tinha um defeito tipo magnético em que ela era atraída por todo ser vivo que passasse, sempre resultando em quase acidentes que eram evitados pelos meus jumps fora da bicicleta em movimento!





Depois de toda essa emoção, almoçamos no Subway e fomos pra casa dar uma descansada e ver um filminho. De repente, começamos a ouvir uma música altíssima e descemos pra ver o que que era. Era o Gay Pride 2008! E como aqui é o maior pólo GLS do sul da França, tava lotado de gente. E bem animado!

Chamo atenção para o canto superior do vídeo, onde inicialmente tinha uma tia horrorizada com a parada. Mas a medida que o tempo foi passando ela foi se soltando, deu uma dançadinha até, e o povo ficou chamando ela pra descer e ela dando de tímidazinha.

Uma coisa que me chamou muito a atenção foi que tinha muito mais lésbicas , maioria esmagadora mesmo, do que gays, e geralmente (pelo menos eu acho) o que a gente vê é ao contrário. E elas eram ou muito novas, abaixo de 20 anos, ou mais velhas, acima de 50. Não tinha quase nenhuma nesse espectro de 30 anos entre uma e outra.

Acompanhamos a parada um pouquinho e depois os carros de som estacionaram na praça da Comedie e aí foi uma confusão de música alta que foi meio irritante, aí a gente voltou pra casa.



Mas voltamos tbm porque tinha combinado de sair com algumas pessoas do meu lab, em mais uma tentativa de socialização com os franceses. O programa era uma fanfarra. Uma vez por ano eles fecham as ruas de um bairro lá e em 4 pontos diferentes ficam as bandinhas tocando.

Confesso que de início eu não tinha entendido muito bem o que era. Eu pensei que seria aquelas bandinhas de velhinhos, tocando marchinhas e tal. Mas acabou que não era bem isso. Era uma festona mesmo, na rua, com barraquinhas de bebida, cheio de gente de todas as idades, mas sobretudo jovens. As bandas são todas sim de instrumentos de sopro e os membros ficam na maioria fantasiados , mas tocou de tudo. De Copacabana a Madonna. Á esquerda, temos o exemplo de uma clássica chanson francesa e á direita é uma fanfarra formada na maioria por jovens e a música que eles tão tocando aqui, pelo que me explicaram, é uma música de um desenho animado dos anos 80, o povo empolgou demais. Deve ser, eu imagino, tipo quando toca Balão Mágico. Foi bem legal e deu pra divertir bastante!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Um fim de semana diferente: amigos e praia

Esse fim de semana foi bem diferente de todos que eu já passei aqui até agora. Digo diferente no sentido de legal, e não de bizarro.

Depois de jantares e saídas, na 6a consegui burlar meu orientador brasileiro. Também porque não tinha mais nem água pra beber em casa, era imprescindível fazer supermercado.

No meio das compras, o amigo guatemalteca do curso do Felipe liga pra ele e convida a gente pra fazer algo. Porém ele ainda não fala muito bem francês, e ele e o Felipe conversam numa mistura de francês, inglês e espanhol. Ao vivo, ça va, pq a "Imagem em Ação" ajuda um pouco, mas no telefone, é dureza a comunicação. Resultado: o Felipe disse que sim, a gente animava, mas na verdade não fazia a menor idéia do que tinha sido o convite. Fiquei meio brava pq não tinha nem idéia de que roupa vestir pro compromisso misterioso.

Apesar de ter sido "com emoção" o convite era pra uma coisa bem legal. Esse amigo, Fernando, é chef de cozinha e está trabalhando num restaurante aqui. A dona desse restaurante estava inaugurando um novo espaço para cursos de culinária e restaurante, naquele esquema que vc paga um tanto, aprende a preparar o prato e depois come o que vc fez. O lugar era uma gracinha. Tava lotado, mas tinha vinho e tira-gostos liberados. O Fernando é muito legal e namora uma francesa, Julie, que coincidentemente é bióloga com um post-doc em Imunologia!!! Ela é uma graça e ficamos conversando horas. Depois da inauguração, fomos esticar a noite num outro bar, tomamos mais um vinho e foi uma noite muito legal, em boa companhia. Os dois são um pouco mais velhos, 30 anos, mas são muito legais e tbm não conhecem ninguém aqui em Montpellier. Acho que eles estavam em busca de um casal amigo pra sair, viajar, etc. Tomara que tenham encontrado, pq ia gostar fazer amizades locais. É muito bom ter o Felipe aqui, com o Bernardo e a Teka em Pari tbm acaba que a gente nunca fica muito tempo isolado, mas tem hora que faz falta uma companhia a mais pra sair.

No sábado, não teve escapatória e 11h o Claude, meu chefe daqui, ia me pegar pra ir passear com o Carlos, meu chefe daí. Tensões a parte, dessa vez foi mais legal pq o Claude convidou tbm a Randa, a tunisiana que faz doutorado tbm aqui no lab pra ir com a gente. Não me entendam mal, meus dois chefes são mais do que legais, me tratam muito bem, conversam e tudo mais. Sou eu que sou tensa com essas coisas. A mulher do Claude, que é bonitinha demais, tbm foi.

Fomos passear em La Grande Motte. Breve explicação histórica: antigamente, o litoral da região do Languedoc não tinha nada. Só pescadores e mosquitos. Como a água era limpa, as praias eram de areia, e não de pedra como grande parte das vezes, e o lugar era bonito, no década de 70 as pessoas tiveram a brilhante idéia de revitalizar o local para atrair o turismo para a região. La Grande Motte foi a primeira cidade do Languedoc projetada para ser um grande centro turístico. Os arquitetos que projetaram fizeram questão de incluir grandes espaços verdes na cidade e de dar um tom futurista para os prédios. São todos muito diferentes, coisas que eu nunca vi igual. Mas achei bonito.
Lá é uma cidade de veraneio mesmo, ou seja, que só enche no verão. Fica o ano inteiro com centenas de barcos ancorados e as ruas vazias, pra no verão bombar de gente. Como estava um dia muito quente, até que tinham bastante pessoas na praia. Tem clima de praia mesmo, apesar da beleza de fato do lugar nem se comparar com o Brasil.

La Grande Motte. Mas essa não é a praia de nadar. É a praia de olhar, por causa das pedras.


Portinho básico...


Com iatinhos básicos...


Arquitetura.

Para almoçar, fomos numa outra cidade pertinho, Le grau du Roi, que tbm é praia, mas mais simples que La Grande Motte, mais de pescador mesmo. Almoçamos na beira do canal do Porto. Foi ótimo!


Le Grau du Roi. O restaurante era na beira desse canal que cai no mar.

Pra finalizar, passamos a tarde em Aigues-Mortes ("águas mortas" em occitanio). A cidade chama assim pq antigamente, lá pelos 1200, na época das cruzadas, o mar chegava até lá e era de lá que saiam as grandes expedições pro Norte da Africa. Hoje, o mar recuou e está á 6 Km de Aigues Mortes. A cidade é pequenininha, e apesar de ainda ser no Languedoc, já tem grandes influências da Provence, o que dá pra ver pelo estilo das lojinhas. Um dos atrativos da cidade é a grande muralha que a cerca e a Tour de Constance. Essa torre servia de prisão para mulheres, na época da guerra entre cristãos e protestantes, lá pelos 1500 da vida. Antes, não tinha nada que proibisse os protestantes, mas quando eles foram crescendo, a lei que garantia essa liberdade de culto foi revogada, e eles começaram a ser perseguidos. Aqui no Languedoc muitas cidades de maioria protestante resistiram por muito tempo a pressão da Igreja. Foi uma guerra horrível (como todas as guerras) com muita gente morrendo e fazendo bobagem dos dois lados. É muito impressionante pq nessa torre tem gravado na terra a palavra "Resister", que foi feita ao longo de 30 anos que uma mulher ficou presa lá, negando a se converter á fé católica. A mulher escreveu na pedra com a unha á 500 anos atrás e o trem ainda tá lá!!!

Tour de Constance



Resister!

Emcima das muralhas. Tour de Constance no fundo. Pessoas em ordem de proximidade da câmera: Randa, Martha (esposa do Claude), Claude (só o topo da cabecinha grisalha), e Carlos

Depois disso, voltamos pra Montp. Chegando aqui a Randa me chamou pra ir no shopping com ela. Ela falou que tinha uma loja em promoção, que ela tinha experimentado 500 coisas, mas que não conseguia decidir sozinha. Fui lá com ela e foi ótimo. Ela tem um noivo que mora em Perpignan, pertinho daqui. Eles casam 9 de agosto na Tunísia, com toda a tradição muçulmana!!! Deve ser muito legal, e ela me convidou, mas na Tunísia, fica um pouco complicado. Mas quem sabe? Depois de lá, a gente deu mais umas voltinhas e ela ficou toda feliz. Falou que mesmo com o noivo aqui, ela sente falta ás vezes de uma companhia feminina pra bater perna em loja. E faz mesmo... Nenhum homem, nem o mais santo de todos tem paciência com isso. Combinamos de repetir o programa mais vezes.

No domingo, lavar roupa e mais um jantar, o que está virando rotina, tô até acostumando em ficar educadinha e puxar papo em francês com pessoas com as quais eu tenho 0 liberdade. Mas o saldo geral foi positivo!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Fazendo social...

Anteontem meu orientador brasileiro chegou aqui.

O que significa que eu tive que buscar no aeroporto a atender á vários compromissos sociais desde então. E isso significa que a minha jacuzisse aguda ataca novamente!

Ontem teve jantar na casa do orientador daqui. Se pelo menos tivesse mais pessoas pra diluir, mas era só ele, a esposa, eu e o chefe brasileiro. Mas sobrevivi, como venho sobrevivendo á vários ataques de jacuzisse. Apesar de estar vencendo essas barreiras, isso não faz com que elas sejam mais fáceis de serem ultrapassadas!

Tô já com dor de barriga pro fim de semana...