terça-feira, 7 de outubro de 2008

Lipe em Paris - O retorno

Um dos motivos que me fizeram parar de atualizar o blog freneticamente (coisa que voltei a fazer no momento), foi a volta do Felipe pra França. Depois de quase dois meses longe, eu queria estar apresentável, pra ele não chegar, me ver e sair correndo. Mas como o dinheiro não é o meu forte aqui, o balanço entre o que eu preciso e o que eu posso comprar me tomou a semana passada quase toda. Juntamente com a ansiedade, claro!

Depois da sua temporada no Brasil, o Felipe exigiu que eu fosse buscá-lo no aeroporto. Sorte que tem TGV direto pro Charles de Gaulle, saindo de Montpellier. Azar que ele sai ás 6h da manhã (o que significa acordar ás 5h)!


O sol nascendo da janela do trem.

Mas foi tranquilo de acordar e a viagem tbm foi. Chegando no aeroporto, um medinho. Na hora que eu vi o Felipe, achei que ia ser um pouco estranho, mas foi como se ele nunca tivesse ido embora. Só que agora ele mora em Paris!

Fomos pro apartamento que ele está alugando com mais dois Brunos (Bicalho e Mesquita). Superbem localizado, no "X" que marca o centro do centro de Paris! 1o arrondissement. Todas as lojas pensáveis estão a menos de 500m de lá. E o apartamento é bem bonitinho e arrumadinho. E "-inho", como todos os imóveis franceses parecem ser. No primeiro dia, foi a confraternização da chegada. Fiz um jantarzinho, pra passar a imagem de namorada gente boa que sou, e não da pentelha que vai empatar a vida dos outros num ap que já é pequeno!


Da esq. pra dir: Bicalho, Mesquita e Felipe

Com os meninos no fuso horário ainda do Brasil e a agitação da chegada do primeiro dia, entre conversas e mudanças na decoração do ap, fomos dormir ás 5h da manhã.

No dia seguinte, só uma voltinha rápida, de reconhecimento do local mesmo.


Em frente á NotreDame.

Mais tarde, uma amiga francesa do Bicalho passou para uma visitinha agradável. Não durou muito pq sábado era dia de NuitBlanche!

A idéia é bem legal. Uma noite em que todos os museus ficam abertos e vários artistas são convidados a fazerem intervenções em espaços como as estações de trem e torres da cidade e também nas ruas. O único problema é que grande parte da arte contemporânea atual é meio muito pra minha cabeça. Numa torre, a imagem da própria torre projetada. Numa outra igreja, uma pilha de cadeiras. Num outro lugar, uma projeção de esculturas de sal... Achei pouco interessante. Não me disse muita coisa ao coração. Teve também essa dancinha meio bizarra, que é legal pela cultura diferente, mas os dois amigos não estavam mto bem ensaiadinhos não...



No final das contas, resolvemos como bons mineiros é ir prum buteco mesmo. Ficamos lá até tarde tbm.

No domingo, depois de muuuito dormir, a proprietária do apartamento foi lá acertar os detalhes finais com os meninos. Depois disso, a conta de comer e ir embora.

Paris mesmo fica pra uma próxima vez. Dessa vez foi só pelo Lipe, e lógico que valeu muito a
pena!
Mas da próxima eu já falei que ele vai ter que fazer programas de mocinha do interior que vai pra cidade grande comigo!

rinôçérôse

Sim, estou atrasada nas notícias, mas só transferi as coisas da minha máquina hoje pro computador e não posso deixar de postar isso!

Como eu disse, a uma semana atrás, num projeto que se chama "QuARTiers Libres", que leva manifestações artísticas á diferentes bairros de Montpellier, eu tive a felicidade de ir a um show do rinôçérôse.


eu e liza na entrada do show. esse cachorro aí atrás chama Louis-Louis, e é o símbolo do festival

Eu já tinha ouvido falar da banda através das aventuras musicais do meu pai na Internet, mas nunca tinha realmente OUVIDO a banda. Chegando aqui, descobri que a banda é daqui de Montpellier, e aí o meu patriotismo temporário me deixou com vontade de conhecer melhor.

Minha amiga wikipedia me contou que o rinôçérôse foi fundado por dois amigos psicólogos (e que trabalham até hoje como tais), Jean-Philippe Freu e Patrice Carrié, conhecida como Patou. Inicialmente, eles faziam uma coisa bem eletric rock instrumental, mas depois do último disco Schizofonia começaram a ficar mais comerciais, colocarem mais vocais e a múscia Cubicle é até tema da propaganda do Itunes e IPod.

Tava bem cheio. Tinha um clima de festa, com pessoas, barraquinhas de cerveja e música, mas ainda assim era beeeem diferente de ir em uma festa no Brasil, não sei exatamente porque (mas isso é tema para mais um post devaneio que eu farei depois). Apesar disso, o show foi muito bom! Melhor do que eu esperava! Estou trabalhando numa teoria de que vc vê que uma banda é realmente boa quando vc não sabe nenhuma música e ainda assim consegue gostar do show.

Além do "cenário", umas placas verticais onde eram projetadas umas imagens muito legais, as músicas empolgavam muito. E empolgavam por diferentes motivos. Uma por ser bem rock&roll-bate-cabeça, outra por ser bem dance (tinha um carinha black power com a voz da Cindy Lauper que aparecia nessas horas, dando uns gritinhos! Muito bizarro!), outra por ser bem viagem e junto com as imagens te deixar quase em transe. Enfim, eu gostei bastante. Tentei fazer uns videozinhos mas não sei se ficaram bons... E como eu estou postando do laboratório, não dá pra ficar verificando. Mas espero que dê pra ter uma idéia!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Atualização

Eu sei, preciso atualizar o blog...

Mas tá difícil. Tô sem tempo. Tô sem idéia... A rotina tá na mesma.
E eu continuar reclamando de ser velha, ou de saudade, ou de gordura, ou dos experimentos que não dão certo, tenho certeza que alguém vai acabar me batendo...

De novidade, só que o frio tá voltando.

E esse fim de semana o Felipe volta e eu vou encontrar com ele em Pariiiiiiiiiiiiiiiis! Aí sim, com certeza terei muitas novidades e inspirações. Então, guenta mão aí, que daqui a pouco o ritmo frenético volta!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Peter Pan

Realmente, quem chamou a vida adulta, né Ju?

Em vias de fazer 25 anos, a minha síndrome de Peter Pan está mais aguçada do que nunca.
E eu tbm tô ficando mais doida do que nunca.

Imaginem vcs que eu fui em uma despedida de um estagiário aqui do lab que vai se mudar pra MArseille na 6a feira. Na festa, vários amigos dele, todo mundo conversando, interagindo. Eis que uma menina, ao perceber meu sotaque pergunta de onde eu sou. Respondo que sou brasileira. E ela continua: "Ah, você é intercambista?".

Num primeiro momento, fiquei toda feliz! Intercambistas são pessoas com menos de 18 anos! E ela me confundiu com uma pessoa de menos de 18 anos! Quer dizer que eu não tenho cara de velha! Eba!

Mas depois que eu analisei a minha alegria eu me dei conta de que ficar feliz quando as pessoas te tomam por uma pessoa mais nova é a coisa mais de velho que tem na vida!!! E aí fiquei arrasada com meus "25-é-quase-30-morro-abaixo"!

P.S: Esse finde tbm fui no show do "rinôçerose", um grupo de eletro-rock muito bom! Foi de graça, lá no Peyrou. Fiz um videozinho, mas não passei pro computador ainda. Hj mais tarde eu posto como foi!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O problema da calça jeans

Não é segredo nem mistério pra ninguém que eu tô me esbaldando de comer aqui na França. E óbvio que isso tem consequências estéticas, que ás vezes me apavoram e aborrecem, mas com as quais eu desisti de lutar pq eu não consigo. Quando eu chegar em casa eu faço regime, corro, malho, jejuo, mas aqui eu vou aproveitar mesmo e tá decidido.

Já faz um bom tempo (anos!) que eu não me peso (a não ser quando obrigada, mas aí eu evito de olhar), pq eu sempre desço decepcionada da balança, mesmo quando as pessoas e as roupas falam que eu emagreci. Acredito muito mais nas minhas roupas do que na balança. E as minhas roupas tão me falando que eu tô gorda mesmo.

Pra parte de cima, ainda mais que o frio tá chegando, é tranquilo. Mas a parte de baixo começa a complicar. Isso pq já é complicado normalmente. Achar uma calça jeans que vista bem é um desafio, pq minha perna é curta e grossa. O comprimento não importa, pq a bainha resolve. Mas a calça que veste bem na perna, fica larga na cintura. E a que fica bem na cintura não passa do meu joelho!

Apesar disso, eu sempre tive sorte de achar uma calça boa e não cara. Uma das calças jeans que eu mais amei, e tenho até hj, é uma da Riachuelo que custou 19,90 reais na época, uns 7 anos atrás. Só que essa minha sorte virou e eu não consigo achar uma calça jeans que preste! Experimentei todas que existem, em todas as lojas da cidade e nada! Foi quando eu me rendi e resolvi testar uma calça de 250 euros da Diesel, só a título de curiosidade... E não é que a bichinha veste como se fosse um pijama de tão confortável? Fica certinha, não sobra nada (além do comprimento, lógico, mas tbm era querer demais, né?), nem falta nada. Aliás, falta só eu ser rica pra pagar mais de 600 reais numa calça!!! Que castigo! Mas tbm que idéia de experimentar essa calça! Guardados os devidos exageros, que existem evidentemente, minha mãe sempre disse que tem coisa que é cara não é a toa!

Mas como eu não vou ter nunca coragem de comprar essa calça, acho que o jeito vai ser tomar vergonha na cara mesmo e fechar a boca. Pelo menos até eu entrar em algo que custe menos!

foto: site da Diesel

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Muitas saudades...

Pra quem mora longe, saudade é rotina. Você sente todo dia. Nem sempre na mesma quantidade e nem sempre a mesma saudade.

Eu descobri aqui que tem muitos tipos de saudade.

Tem uma saudade que é a vontade de ter certas pessoas do seu lado, vivendo aquele momento com você. Você queria estar exatamente onde está, mas queria que a pessoa estivesse ali com você. Pra saber o que ela acha, pra ela escutar o que vc acha, e tbm simplesmente pela própria presença física da pessoa.

Tem uma saudade que é a vontade de você estar do lado das pessoas, vivendo o momento que elas estão vivendo. Você não queria estar onde está, você queria estar participando daquele momento que está ocorrendo á quilômetros de vc. Mas a física e a falta de dinheiro pra comprar a passagem e o compromisso feito de estar longe daquele lugar naquele momento para completar determinado objetivo e milhares de fatores, proíbem. Essa é a hora em que vc é confrontada com as suas próprias escolhas. Pra viver isso, a gente tem que abrir mão de outros mil dissos. E aí vc pensa: eu escolhi certo?

Tem uma saudade que é daquilo que aconteceu ontem. Quando vc passa a levar uma vida totalmente diferente, em um lugar que não é o seu, por um período determinado de tempo, o seu dia a dia é cheio de "nuncamais"es. Todo dia vc vive uma situção, vê um lugar, come uma coisa, conhece uma pessoa, que provavelmente não se repetirá nunca mais na sua vida. Pq normalmente aquela vida não é a sua, vc só está vivendo ela por esse período x. Claro que pode-se voltar um dia á esse lugar, e comer de novo a tal coisa e reencontrar as pessoas, mas é uma possibilidade remota e pouco provável de acontecer.

Tem também a saudade daquilo que aconteceu aaaaaaanos atrás. De quando vc inventava brincadeiras surreais, de quando sua vida era simples, de quando as fofocas, trabalhos e festinhas do colégio eram a coisa mais importante do mundo, de quando vc tinha praticamente todos que vc amava ao seu redor todo dia, e de quando ter 25 anos era uma coisa looooooonge até. Você sente ela quando se dá conta de que de repente vc teve que virar adulto e ninguém te avisou que isso ia ter que acontecer. E vc nem viu que tava acontecendo.

Aliás, tem muitas outras saudades. Saudade de pequenos hábitos, saudade de coisas que nem aconteceram, saudade de quem você era a algum tempo atrás... Será tudo a mesma saudade? Sei lá, mas acho uma palavra só, por mais linda que ela seja, meio limitada pra descrever tantos sentimentos que acabam sendo sempre um pouquinho diferente. Tenho dó das línguas que nem "saudade" tem pra ajudar a decifrar tudo isso que acontece dentro da gente!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Seguro: Novela mexicana, mas com final feliz...

Não sei se todo mundo sabe/lembra que meu apartamento foi assaltado aqui em Montpellier. Passadas as chatices de fazer a ocorrência, esperar o perito e recolocar tudo, inclusive a cabeça, no lugar, começa uma nova novela das 8! De Manoel Carlos: O SEGURO!

O seguro foi obrigatório pra locação do ap. Eu fiz ele através da Fundação Kasteler, que presta assistência a pesquisadores estrangeiros. Foram eles que me ajudaram a abrir conta no banco e me arrumaram esse seguro com uma tarifa especial. Vc pode pensar: "Nossa, mas que bom que vc tinha seguro! Menos mal, pq vc vai ser reembolsada por tudo que levaram do seu apartamento. Afinal de contas, pra isso a gente paga um seguro, para nos sentirmos seguros!".

Mas se vc já teve que lidar com a corja sabe que a realidade é bem menos simpática que essa. Ao que aparenta, o lema das seguradoras é: "Vamos tornar a vida do cliente um inferno! Vamos colocar obstáculos! Vamos exigir documentos impossíveis! Vamos duvidar da integridade dos nossos clientes! Vamos enrolá-los e ignorá-los até que eles desistam e a gente não tenha que pagar 1 centavo!" Desculpe se tem alguém super legal que trabalha com seguros lendo isso, mas é que as minhas experiências não foram das melhores!
(A anos atrás roubaram o carro lá de casa de dentro da nossa garagem. O seguro demorou 6 meses pra pagar, depois de um inquérito quase policial, e ainda pagou bem menos que o carro valia!).

Pra vcs terem uma idéia da minha odisséia, vamos á algumas datas:
- 13/06 = data do roubo
- 16/06 = seguro acionado e todos os documentos enviados
(a demora de 3 dias foi pq o assalto foi numa 6a. Os procedimentos policiais todos terminaram tarde, então só na 2a que deu)
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16/07 = Perito da seguradora veio fazer uma visitinha. (Um mês depois do ocorrido!)
- 07/08= Quase inteirando um mês sem notícias, ligo para a seguradora pra perguntar como está o andamento do processo. Eles me respondem que não sabem, pq o perito está de férias e só volta dali 15 dias!
- 22/08= Ligo pra seguradora, pq teoricamente o perito já voltou de férias. Mas ninguém tem notícias ainda.
- 26/08= Ligo de novo! Eles falam que até o final da semana COM CERTEZA eles vão ter uma resposta, e que entram em contato comigo
- 04/09= Como ninguém me deu notícia, ligo pra eles maaaaais uma vez. A moça que atende já reconhece minha voz e me cumprimenta. Mas notícia que é bom nada.
- 10/09= Começo a ficar neurada com a situação. Mas continuo ligando pq sei que eles querem que eu desista. Falo com a moça que assim não é possível e ela fica meio ofendidinha, falando que a culpa não é dela. É do perito e suas férias!
- 16/09= Num momento misto de raiva com falta do que fazer, resolvo deixar uma mensagem no site da Fundação Kasteler, falando que eles deveriam reconsiderar as parcerias deles, pq a companhia de seguro com a qual eles trabalham é uma porcaria que enrola os clientes! No mesmo segundo quase eles me respondem, em inglês, e com a maior educação do mundo! Me pedem pra explicar o ocorrido, pq eles querem me ajudar e pq é importante pra eles terem um retorno dos serviçoes que eles indicam. Conto tudo pra alma caridosa e ela fala que vai se inteirar do que está acontecendo.
-18/09= Recebo um email da companhia de seguros me pedindo 10 bilhões de desculpas, alegando que o problema foi que o perito enviou o relatório pro endereço errado (!?), mas que o cheque com o reembolso de parte das minhas perdas já tinha sido enviado pra a minha casa!!!!!!

Prefiro acreditar que foi coincidência que as coisas só começaram a andar quando eu comecei a mexer com os peixes grandes, e que independente de eu ser estrangeira, mocinha e indefesa eles me trataram igual, porque eu ainda prefiro acreditar no bem dentro das pessoas!

E também agora não importa! Tem um cheque chegando!!! Só espero que ele chegue mesmo!

Então vc, vítima de seguradoras enroladas, não desista, pq seu dia vai chegar!!!