quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Falta 1 semana pro meu aniversário!!!

Eu gosto de fazer aniversário. Não gosto de aumentar de idade (como vcs já estão ficando carecas de saber!), mas eu gosto do dia 22 de outubro em si. Na véspera eu sempre custo a dormir, fico meio tensa, como se algo fosse de fato mudar na minha vida no dia seguinte. Mas acho que isso é algo inerente do ser humano, de querer uma oportunidade de parar tudo e começar de novo. O tempo é contínuo, e um dia continua chegando depois do outro, mas a gente não comemora o ano "novo" todo ano, como se um tempo tivesse acabado e outro recomeçasse limpinho? Pois aniversário é o nosso reveillon pessoal, né?

Eu gosto tbm de comemorar aniversário. Acho triste passar em branco. Então rola uma obrigação (da minha parte para mim mesma) de fazer alguma coisa e nem sempre eu tenho AQUELA vontade. Não fazer nada me deixa triste, mas fazer alguma coisa me deixa tensa. Fazer um evento ou uma reuniãozinha? Se chamar fulano, tem que chamar beltrano? Será que as pessoas vão gostar? Será que elas vão aparecer ? (Tem um caso tristíssimo de um menino que era meu colega na 3a série que fez uma super festa de aniversário e ninguém apareceu, nem o pai dele! Minha irmã, que odeia aniversários, não pode nem ouvir essa história! O caso me abala um pouco menos, mas sempre quando chega perto do MEU dia, ela vem pra me assombrar!)

Então, só pra organizar meu pensamento, eu divido meu aniversário no dia dele mesmo (que eu adoro) e no dia da comemoração do mesmo (que ás vezes eu gosto, mas me deixa tensa).

O dia mesmo do meu aniversário com certeza vai ser lindo, ainda mais que eu vou estar indo pra Berlin onde estarei encontrando com minha chérie amie Júlia e provavelmente em algum momento estarei comemorando meu niver com ela. Esse fim de semana, estou indo pra Paris, onde eu já montei uma programação comemorativa, na qual o Felipe será obrigada a fazer todo um circuito mulherzinha comigo, coroado por um espetáculo de dança da Branca de Neve (mas numa interpretação super moderna!).

Ms eu moro aqui em Montpellier, e convivo com as pessoas daqui. Será que eu tenho que comemorar aqui tbm? Será que eu faço alguma coisinha, vou num restaurante aqui, ou sei lá o que, no dia anterior do meu aniversário? Quem será que eu chamo? Será que as pessoas vão se eu chamar? Será que elas vão me achar uma esquisita? Ó dúvida, ó tensão, ó sufrimento!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Egoísmo

A alguns dias atrás, os líderes da zona Euro se reuniram pra discutir as medidas a serem tomadas diante da crise. Sarkoza vai liberar 360 milhões de euros do estado pra suprir os empréstimos interbancários e eventuais recapitalizações.

Ontem, a bolsa de Paris já fechou na maior alta dos últimos 20 anos. E em toda Europa, foi um dia de alta tbm.

Pra falar a verdade pra vocês, eu tava torcendo mesmo é pro euro chegar á 5 reais, pq aí eu ia parar até de comer, guardar todo o dinheiro que ainda me resta e ser milionária quando eu voltar pro Brasil. Mas aí seria muito egoísmo da minha parte...

O dinheiro tem que ir é pros bancos mesmo, não pra mim. Alimentar o cão raivoso fantasma que é esse tal de mercado, pra manter a dita "ordem"! Pro mundo continuar rodando pro mesmo lado que tá combinado. Ás vezes eu penso que ele podia rodar um pouquinho mais pro lado de cá, mas aí eu estaria sendo muito egoísta, não é mesmo?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Energia éolica vilã?


Mais uma notícia que me chamou atenção no meu querido MontpellierPLUS gratuito, jornalzinho que foi editado para ser lido todinho no tempo exato do meu trajeto de tramway de casa para o lab.

A notícia mexeu com todas as minhas bases geográficas e veio confirmar algo que eu já tinha observado aqui na França: o povo gosta mesmo é de reclamar!

Apesar de toda a moda ecológica BIÔ daqui, tem um povo protestando contra as usinas eólicas da França. CONTRA!!! E eu que aprendi a vida toda que energia eólica era uma super fonte de energia limpa, que não poluía e aproveitava um recurso natural e inesgotável, fiquei boba! Ainda mais que aqui no sul tem um tanto de ventos regulares, ideais pra esse tipo de usina. De onde então esse povo tirou isso??? Será que eu tô redondamente enganada?

Eles dizem que é pq o tanto de energia produzida é pequena mediante o investimento que é feito. Até aí, até que faz sentido e eu poderia até acreditar que a reclamação tinha fundamento. Mas aí os revoltados acrescentaram que, além disso, elas eram FEIAS! Tiravam o ar bucólico da campagne! E o pior é que o fabricante era alemão! Ninguém na França produz esses geradores. Então eles preferem ficar sem do que comprar dos vizinhos. E teve gente que saiu de casa pra protestar sério contra isso! Contra a feiúra dos geradores alemães!

O jornal meio que deu a dica, com alguns dados oficiais que eu não lembro pq esqueci de guardar o jornal, de que as usinas eram produtivas sim. Menos do que as nucleares, mas obviamente a energia gerada do vento é menos nociva do que aquela gerada por compostos radioativos que geram resíduos nucleares que ninguém sabe mais onde enfiar! E eu juro que eu acho bonito esses cataventos gigantes!

Resumindo, esse povo tá precisando de problema de verdade. Quem sabe a crise econômica não distrai eles um pouquinho, só pra variar a brincadeira!


Eu acho bonito de verdade!

UPDATE: Tá bom, tá bom... Algumas pessoas me convenceram de que existem problemas sim com os geradores eólicos. Eles fazem barulho além de tudo e são caros mesmo. Mas eu continuo achando que ainda é melhor do que continuar produzindo toneladas de lixo radioativo e tacando tudo na África. E além do que, se esse povo aqui quer ficar com essa ondinha ecológico-BIÔ-salvemasflorestas, é bom abraçar a causa como um todo, não é não!


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

França também é favela!

Ontem um cara estranho entrou aqui no laboratório em horário comercial (17:30h) e roubou a bolsa de uma menina. Ninguém viu o ato, mas viram o cara na porta e acharam a bolsa na estação de tramway.

Pra passar em qualquer porta daqui, é necessário ter o cartão magnético, mas como vive cheio de gente da manutenção, entregando coisas e etc, é comum uma pessoa não conhecida passar junto com vc quando vc passa o cartão. Numa dessas ele deve ter entrado.

Agora SÉRIO: que que tá acontecendo com esse mundo?

Nem na UFMG, no ICB, que é A casa da mãe Joana em pessoa, não acontecem essas coisas! Como eu já disse, é a igualdade no mundo, mas nivelando por baixo! Todo mundo é roubado i-gual!

Eu quero um Nobel!


De todos os prêmios que existem no mundo: Oscar, Grammy, Emmy, medalhas olímpicas, miss mundo e etc, o que eu mais queria ganhar era um prêmio Nobel. De química ou de medicina. Mais de química, pq eu tenho que honrar a minha birra bióloga contra os médicos. Mas não ia achar ruim de ganhar o de medicina não, pq afinal de contas na maioria das vezes os assuntos que ganham o prêmio são bem mais de pesquisa do que de prática médica.

Esse ano, foram dois franceses que ganharam o de medicina. Luc Montaigner e Françoise Barré-Sinoussi foram laureados pela descoberta e caracterização do vírus HIV. A francesada ficou toda feliz, pq tinha 20 anos que eles não ganhavam um Nobel de ciência e já estavam começando a ficar procupados. Imagina nós brasileiros então, que nunca ganhamos nenhum! É pra preocupar demais!

Ganhar um Nobel, principalmente de Ciência, é uma coisa ainda muito distante da nossa realidade. E aqui na França, é uma realidade ali na esquina. Inclusive tem um cara aqui do laboratório que conhece os dois ganhadores! E falou que eles nem são grandes coisas assim... Diz que a mulher é melhorzinha, mas o cara é bem mediano. Fiquei passada com o comentário! E aí eu lembrei de uma polêmica nesse assunto, que deve voltar com tudo agora!

(Pausa para o momento "A maravilhosa e conturbada história da ciência")

Antes, eu peço desculpas se eu cometer algum equívoco horrendo, pq eu não lembro de todos os detalhes e já escutei versões diferentes, mas o caso da descoberta do HIV que eu acho mais verossímil na minha opinião humilde é mais ou menos o seguinte.
Tinha essa duplinha de franceses que começaram a estudar um povo que tava morrendo de imunodeficiência e toparam com o HIV nos exames que eles fizeram nesses pacientes. O HIV é um retrovírus, ou seja, é um tipo de vírus que ao invés de ter DNA como material genético tem uma molécula de RNA. Os retrovírus ainda não eram muito conhecidos, e os franceses não manjavam lhufas disso.
Mas tinha uma americano, Robert Gallo, que era especialista no assunto. Os franceses não estavam botando muita fé que HIV era o agente causador da imunodeficiência, mas resolveram mandar uma amostra do vírus pro Dr.Gallo pra ver o que ele achava (alguns dizem que na verdade os franceses não mandaram nada e que a amostra de HIV foi parar nas mãos do americano por vias um pouco obscuras). Gallo estudou o retrovirus e foi o primeiro a levantar a bandeira de que realmente o HIV era o agente causador da AIDS e logo desenvolveu um teste diagnóstico pra isso. Os franceses chegaram á mesma conclusão um pouco mais tarde, mas não quiseram implementar o teste diagnóstico americano (birra ou precaução?), e desenvolveram o seu próprio teste 6 meses depois.
Isso já denotou o início da briga sobre quem deveria ser o grande responsável pela descoberta do HIV, que se arrastou por um bom tempo e terminou pelo reconhecimento diplomático pela comunidade científica dos dois grupos como tendo sua importância nessa pesquisa. Claro que há a divisão "Team Gallo" e "Team Montaigner". A primeira vez que eu escutei essa história foi na faculdade, vindo de um prof do "Team Montaigner". Ele falava que era claro, óbvio, evidente que o Gallo era um aproveitador. Quase a encarnação do capeta, como a maioria dos americanos, e que só queria levar vantagem em cima da descoberta do grande Montaigner. Já o cara do meu laboratório, que falou que o Montaigner era bem marromeno, acha que foi o Gallo que fez tudo! O Montaigner só teve a sorte de achar o vírus antes, mas que ele nem sabia o que fazer com a descoberta, se não fosse o grande Gallo. Ele (o cara do meu lab) inclusive fez questão de mandar um email pro Gallo, expressando a sua indignação com a decisão do Nobel (A pessoa tem amigos Nobel e pseudo-Nobel!!! Se eu não ganhar um, pelo menos algum amigo meu podia ganhar! Vamo agilizar isso aí, gente!)
Apesar dos times, a poeira já estava baixa. Mas aí o Nobel vem e deixa o Gallo de fora! O Nobel pode ser dividido por no máximo três pessoas, então dava pra manter a diplomacia e premiar Montaigner, Gallo e a mulher (que e primeira autora do artigo onde a descoberta do HIV foi publicada, mas não tenho nem idéia do que ela fez!). Mas eles escolheram como 3o ganhador um cara que trabalha com papilomavirus (câncer de colo de útero), que é super importante também, mas nada a ver com o assunto! Foi pra ficar bem ostensivo que eles estavam deixando o Gallo de fora MESMO! Ou seja, a polêmica vai voltar com força!

(Fim do momento "A maravilhosa e conturbada história da ciência")

Mesmo com polêmicas, eu queria um Nobel! E sei que tá muito longe pra mim, pra não dizer que é impossível. Isso porque uma coisa que todos os Nóbeis (?!), mais ou menos merecedores do prêmio, tem em comum é que, mesmo sendo marromeno, eles vivem pra ciência. Ela vem em primeiro lugar sempre. Antes de amigos, família, diversão ou qualquer outra coisa. Pra ciência, isso é necessário. Essa dedicação contínua, absuluta e obsessiva.

Eu aprendi num seriado (que tbm é cultura!) uma imagem que eu achei legal: um prato de presunto com ovos, o porco e a galinha. A galinha está sem dúvida envolvida com o prato, uma vez que ela produziu e doou os seus ovos, frutos do esforço dela. Mas o porco, coitado, ele está verdadeiramente comprometido com o prato. É ele ali, é a vida dele que ele teve que colocar pro prato acontecer. Quem ganha prêmio Nobel é porco. Eu sou galinha (no sentido da metáfora, por favor!). Tô longe de ser porco e nem sei se eu quero ser porco. Eu sou feliz sendo galinha. Talvez eu seria mais feliz sendo uma galinha com um Nobel, mas não se pode ter tudo na vida, né?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Hábitos alimentares franceses

Sim, eu sei! Eu sou obsessiva com assuntos. Quando eu começo a falar de uma coisa, eu acabo fazendo uma série de posts. Então seguindo o tema COMIDA, algumas observações cotidianas:

- Carne é algo que não existe aqui! Não sei se pela grafia da palavra "filet", mas eu achei que aqui seria o paraíso dos filets au roquefort, au poivre e etc. Mas não. Eles comem carne de boi assim como a gente come carne de pato: never! Claro que existe a opção em restaurantes e vc pode comprar no supermercado, caso vc não faça questão de ter os dois olhos ou os dois rins e possa deixar um deles no caixa como pagamento. E o pior é que mesmo sendo cara, é horrível a carne! Cheia de nervo, sem gosto! Eu nunca imaginei o Brasil como sendo O país da carne de boi, mas aqui a fama é essa! As opções que restam são virar vegetariana ou tentar outras modalidades carnívoras. As básicas são: o bom e barato steack haché, que é um hamburgão tipo o que vem no Quarterão do McDo, que vc pode comer como hamburguer, como bife, ou despedaçar ele pra fazer uma carne moída; a chipolata, que é uma linguiça parecida com a nossa, que a gente descobriu depois de testar várias outras linguiças esquisitas; bife de porco, que é um pouco menos caro e consideravelmente melhor; e quando bater aquela vontade de comer picanha é melhor investir num magret de canard, que por incrível que pareça, mesmo o pato pertencendo a uma outra classe de bichos, se parece mais com a nossa picanha do que a carne de boi! Com direito a gordurinha em volta!

- Todas as refeições são acompanhadas de pão. Se perigar, até pra comer um sanduíche eles colocam um pãozinho do lado. Ótimo para o regime. Vc vira uma bola sem nem saber pq!

- Aqui eles gostam de doces não-doces. Um pouquinho se açúcar a mais, eles já reclamam que é "trop sucré"! E Deus sabe o tanto que isso me irrita! É um inferno tbm, pq mesmo menos doces, as sobremesas são uma delícia e acabam sendo menos enjoativas e vc acaba comendo mais! Tudo contribui para o ganho de arrobas!

- A nova moda aqui é a comida BIO (fala biÔ). Sem agrotóxico, sem gorduras trans, sem gosto! Custa infinitamente mais cara. E tem gente que só come isso, como filosofia de vida. Aqui mesmo no lab tem vários que no almoço só comem verduras e legumes Bio. Na teoria é até bonito, mas é um pouco hipócrita... Como a Cecile, que é francesa, disse, é um misto de complexo de culpa e autoengano. Depois de terem explorado e destruído tudo que eles podiam durante décadas, os franceses e europeus em geral ficam levantando bandeirinhas ecológicas a torto e a direito pra tentarem se redimir do seu passado negro. E os alimentos como a gente conhece hoje, bonitinhos, suculentos, coloridos, só existem graças a anos de melhoramentos genéticos e aditivos químicos. Coloca um milho e uma maçã BIO de verdade pra ver se alguém tem coragem de comer. O BIO de verdade é feio, pequeno e carcomido de bicho! O povo quer na verdade é o modelão!


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Dieta do cromossomo Y

Esse fim de semana eu passei num apartamento com três homens, o que me permitiu algumas análises e comparações.

Com relação a comida, por exemplo. Ao comprar comida eles pensam principalmente em: quantidade e preço. O que importa é se vai ter bastante comida e se eles vão conseguir pagar o mínimo possível por isso. Chegando em casa, sai aquela panelada de macarrão, todo mundo come bastante e só vai pensar em comida na próxima refeição. É um negócio prático e objetivo. É uma escolha pela lógica. Se macarrão é bom, barato e satisfaz, então macarrão it is, mesmo que por 3 dias seguidos. E não se fala nem pensa mais nisso. Vc está satisfeito, então pra quê comer mais? Claro que eu estou exagerando um pouco e generalizando a lot, mas despindo os detalhes o que sobra é isso.

Já mulher é um bicho mais complicado e eu pude ver isso direitinho quando eu fui fazer supermercado com a Liza, minha roomie, ontem. A gente ficou horas. Analisando cada produto, pensando em cardápios diferentes, escolhendo dezenas de sobremesas.

- "Esse biscoitinho aqui é bom pra comer quando a gente for ver filme".
- "Esse achocolatado é mais grossinho do que aquele lá de casa. É bom pra fazer chocolate quente."
- "Esse molho a gente já comeu a 9 dias atrás. Vamo variar!"
- "Essa batata a gente pode fazer com aquelas ervas que a gente comprou da outra vez, gratinar com um queijo e servir com aquele presunto..."
- "Nossa, esse chocolate é novo! Vamo experimentar?"
- "O que que é isso? Diz fulana que é bom, a gente pode testar!"

No final das contas, a gente já tava salivando pq passamos o supermercado inteiro imaginando a comida e a vontade era de chegar em casa e comer tudo que a gente tinha comprado. Além disso, são 500 coisas diferentes pra experimentar, o que desperta a curiosidade. E se vc compra comidas específicas pro café da manhã, pro lanchinho da manhã, pro almoço, pra fominha de 5h, pro jantar e pra hora de ver filme, vc vai acabar passando o dia inteiro comendo e pensando em comida! Por isso que a gente engorda!

Homem come pra sobreviver, pra matar a fome. Mulher come pra suprir carência, pra experimentar, pra ter uma nova experiência sensorial, pra passar o tempo... A fome vem lá em último lugar!

Antes que me apedrejem, eu sei que isso é mega generalizado e pode ser que se aplique só a mim. Mas foi bom fazer essa análise pq eu pretendo agora começar a seguir mais o cromossomo Y, pra ver se a situação crítica da gordura melhora um pouco!



Com os dias contados! Pela alimentação de subsistência!